Prova técnica foi fator chave na condenação de quase 30 anos de assassino de Martinha em Valença, diz promotora

Carlos Mendes foi condenado a 29 anos de prisão por matar a ex-esposa Helmarta; para a Promotora, o resultado do júri popular é uma "festa da justiça".

Foto: Reprodução / Felipe Pereira

Foi condenado a 29 anos, 8 meses e 11 dias de prisão, o réu Carlos Mendes Júnior pelo assassinato de sua ex-esposa Helmarta Sousa Santos Luz, de 38 anos, conhecida como Martinha, em Valença, no dia 24 de setembro do ano passado. A decisão foi proferida por júri popular nesta terça-feira (07).

O crime, que gerou grande comoção na cidade, teve início quando Martinha desapareceu após sair para o trabalho. Dois dias depois, Carlos confessou o homicídio à Polícia Civil. As investigações apontaram que o crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento, que havia durado 16 anos e terminado cerca de oito meses antes.

A Promotora de Justiça Rita de Cássia Pires Bezerra Cavalcante, da bancada de acusação, avaliou o resultado como “muito positivo” e afirmou que a justiça foi feita, com o reconhecimento de toda a acusação pelo Conselho de Sentença. Em entrevista ao radialista Felipe Pereira, da Clube FM, a promotora enfatizou que a prova técnica foi o elemento mais determinante para a condenação.

“Acredito que determinante foi a prova técnica. Esmiuçamos a prova técnica, demonstramos que a forma como o crime foi cometido, de fato, reduziu as possibilidades de defesa da vítima. Bem assim, demonstramos todas as situações que fizeram com que o réu artificiosamente inovasse no curso de um processo penal”, disse Rita de Cássia.

O conselho de sentença reconheceu negativamente os cinco pontos contra o acusado, incluindo o que impossibilitava a defesa da vítima e a questão das fraudes processuais. A promotora destacou que o resultado reflete a reprovação social contra crimes dessa natureza.

“Para que fique muito claro que feminicídio é um crime que ninguém aceita, nem mulheres, nem homens, se entende a gravidade desse crime. O que a sociedade quer, de fato, é ficar longe de homicídios, longe de feminicídios. E o dia de hoje é um dia de festa, com certeza. Festa da justiça. Triste, claro, pelos acontecimentos, mas de festa da justiça”, afirmou.

Sobre o tempo de pena estabelecido em regime fechado, a promotora afirmou ser “correspondente à gravidade do delito”. Ela também parabenizou o juiz, Dr. César, pelo trabalho “extremamente bem feito, exaustivo, minudente, no sentido de deixar muito clara a gravidade desse crime, tanto na fundamentação, quanto no quântum da pena ao final”.