“Votar pode ser mais seguro que ficar em casa”, diz infectologista

Sair para votar pode ser mais seguro do que ficar em casa, garante o médico infectologista Roberto Badaró, pesquisador-chefe do recém-inaugurado Cimatec Saúde.  PhD em Imunologia e Doenças Infecciosas, ele conversou com o jornalista Donaldson Gomes, no programa Política & Economia, ontem e falou sobre os riscos de sair para votar no próximo domingo (dia 15).

Um total de 10.893.320 pessoas estão aptas a votar na Bahia – desse número, 52,4% são mulheres e 47,5% são homens.  A maioria tem idades entre 35 e 39 anos (11,45% do total). Já em Salvador o total de pessoas aptas para votar é de 1.897.098 pessoas, sendo 55,5% mulheres e 44,5% homens. A faixa etária dos 35 aos 39 anos também é maioria (12,45% do total).

“É seguro votar se as pessoas obedecerem as recomendações da nova normalidade”, diz. Então, na hora de sair de casa para escolher os seus representantes, é importante que os cidadãos incluam na lista dos itens básicos, junto com o título de eleitor, a máscara – em qualquer atividade externa com outras pessoas –, o álcool gel e o cuidado em manter distância em relação aos outros eleitores. “As pessoas precisam voltar às suas atividades e usar a máscara corretamente já aumenta em 90% a proteção pessoal. Além disso, é importante usar um biocida, eu carrego meu álcool gel em meu bolso. Tocou no botão pra votar, usa, mas tem que usar em todas as outras situações da vida”, destaca.

Badaró recomenda uma modificação no comportamento do eleitor, no sentido de se limitar a sair de casa, apresentar o seu voto e retornar. “O mais importante é que a pessoa saia de sua casa e respeite o distanciamento, de preferência evitando inclusive falar. Votou, retorna para casa, nada de ficar na rua fazendo campanha ou qualquer outra coisa”, pede. “A chance de uma contaminação com todos esses cuidados é zero, mas se ficar lá, discutindo, está quebrando as regras e a possibilidade de se contaminar existe como existe quando você vai a um mercado ou a um shopping center, ou ao ir para qualquer lugar”, acredita.

“Não é o ato de votar quem vai lhe por em risco de adquirir a covid. Quem defender isso está absolutamente errado, votar é um dever cívico e nós somos responsáveis pelas pessoas que colocamos para dirigir nosso município”, defende.

O médico destacou o trabalho da Justiça Eleitoral no sentido de garantir o espaçamento entre as pessoas e a oferta de um horário especial para as pessoas no chamado grupo de risco para a covid-19. “Se uma pessoa acima dos 65 anos não for dentro do horário programado para ele, vai ter que esperar em fila. Caso se cumpram as orientações, votar tem muito menos risco que ficar dentro de casa, com pessoas desmascaradas, ou recebendo gente”, ressalta.

Segundo Badaró, a maioria dos novos casos de infecção pelo coronavírus estão acontecendo nos ambientes domésticos. “As pessoas estão se contaminando dentro de casa”.

Ele acredita que um “relaxamento” em relação às ações preventivas é o que está provocando uma segunda onda de infecções na Europa. “Essa segunda onda é absolutamente explosiva porque as pessoas relaxaram em relação às medidas de segurança e de precaução”, afirma.

Para o médico, a segunda onda que está acontecendo na Europa vai se repetir no Brasil. “Essa segunda onda está sendo muito mais agressiva e com um número maior de casos que a primeira. Inicialmente tivemos a introdução do vírus nos locais, agora temos o vírus circulando e um número grande pessoas podem adquirir a doença ao mesmo tempo”, acredita.

Ele acredita que o Brasil pode aproveitar a experiência dos europeus para se preparar melhor. Outro fator que permite esperar menores dificuldades, pondera ele, é que o Brasil está entrando no verão, enquanto o hemisfério norte enfrenta a crise em pleno inverno.

“Não se pode relaxar as medidas quando a nova normalidade retorna. Vamos retornar paulatinamente, fazendo presencialmente apenas aquilo que for absolutamente essencial. Só assim vamos mitigar qualquer possibilidade de uma segunda onda. Mas na realidade tivemos uma redução no número de casos em setembro e agora eles estão voltando a ocorrer porque nós estamos tendo contatos com as pessoas nessa nova normalidade”, acredita.

Fonte: Correio