Durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atribuiu ao governo anterior a responsabilidade pelas fraudes bilionárias reveladas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O esquema, segundo investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), causou um prejuízo estimado em R$ 6 bilhões a aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024.

“Todo mundo sabe que isso é um erro feito no governo passado, possivelmente propositadamente”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a atual gestão optou por uma apuração criteriosa em vez de “pirotecnia”.
“A gente poderia ter feito um show de pirotecnia, como sempre se faz nesse país, toda imprensa dá manchete no jornal e uma semana depois todo mundo esquece e o roubo continua. O que nós fizemos? Fizemos aquilo que um governo sério faz: colocamos a Polícia Federal, a CGU, para fazer investigação minuciosa de tudo até chegar onde a gente queria chegar, que era nas pessoas que cometeram o erro”, disse.
“Quem errou vai ser punido e nós vamos devolver o dinheiro aos aposentados”, completou.
A fraude no INSS veio à tona em abril deste ano, quando a Polícia Federal e a CGU deflagraram uma operação para apurar descontos indevidos em contracheques de beneficiários. Os valores teriam sido cobrados por sindicatos e entidades associativas suspeitas de operar como empresas de fachada.
Segundo a investigação, essas entidades fraudavam a autorização de descontos diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas. Além disso, teriam efetuado pagamentos de vantagens indevidas a agentes públicos para obter essas autorizações.
A Justiça Federal atendeu, na segunda-feira (2), a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e determinou o bloqueio de R$ 23,8 milhões em bens de empresas e sócios investigados no esquema.
No mês passado, no dia 8 de maio, a AGU já havia solicitado o bloqueio de R$ 2,56 bilhões contra 12 entidades associativas e seus dirigentes. Todas são acusadas de atuarem exclusivamente para aplicar golpes contra os beneficiários do INSS.
A atuação das instituições de controle e investigação segue em andamento, e novas medidas judiciais são esperadas nos próximos meses.



