Secretário de Segurança da Bahia defende regulamentação de drogas leves no país

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O secretário de Segurança Pública da Bahia, Ricardo Mandarino, se posicionou defendendo a regulamentação do comércio de drogas leves no Brasil, além de criticar a política de “guerra às drogas” adotada pela polícia, que segundo ele, seria equivocada. Embora não cite nenhuma específica, pelo discurso e exemplos citados, Mandarino fazia referência à maconha.

“O que é que a polícia está fazendo? Correndo atrás de traficante, que mata traficante. Mas quando um traficante mata o outro, ele acaba matando pessoas inocentes também. Então, o que o país precisa é pensar em mudar essa política de combate ao tráfico, que é equivocada, que não dá certo em lugar nenhum do mundo”, afirmou Mandarino em entrevista ao Jornal da Manhã, da TV Bahia, nesta quarta-feira (17).

Citando exemplos de países como Portugal, Holanda e Uruguai, Mandarino também afirmou que a regulamentação das drogas também pode fortalecer os cofres públicos, com o dinheiro sendo utilizado para recuperar pessoas que sofrem com adicção e fazer publicidade contra o uso de drogas, como já ocorre com o cigarro.

“Quando eu falo de droga, falo de drogas lícitas e ilícitas. Todo mundo gosta de tomar uma bebida, beber um uísque, uma cerveja, um vinho para relaxar. A mesma coisa é com essas drogas mais leves. Tem pessoas que consomem moderadamente, e tem os alcoólatras, que ficam com cirrose. E o que você faz com o alcoólatra? Você bota no hospital e recupera ele. O que você faria se tivesse uma política de regulamentar o comércio de droga? Não é dizer ‘todo mundo vai fumar onde quiser’, não é nada disso. É fazer o que se faz em países da Europa, em Portugal, na Holanda, no Uruguai: você regulamenta e tributa esse comércio, e você pega esse tributo e desvincula do orçamento geral da União. Pode perfeitamente ir para uma conta específica vinculada, destinada exclusivamente a construir hospitais para recuperar drogados e fazer publicidade contra o uso de drogas”, explica.

Mandarino fez um comparativo entre o uso de entorpecentes e a questão do cigarro no Brasil, que teve forte queda em seu uso após políticas efetivas, sem a necessidade da proibição da substância. Ele também ressalta que essas medidas, caso não deem certo, podem facilmente dar lugar às práticas anteriores de proibição.

“Em 1988, 30% da população brasileira fumava cigarro, e hoje são menos de 10%. O Brasil é o país onde menos se fuma no mundo. Houve proibição do cigarro no Brasil? Não. Houve publicidade. Aquelas propagandas que chocam, que tocam as pessoas. É um teste. Se por acaso não der certo, volta-se a proibir de novo. Do jeito que está é que não funciona. A gente fica repetindo as mesmas práticas, e as mesmas práticas não estão dando certo”, disse.

O secretário concluiu afirmando que apesar de sua visão, isso não pode ser uma medida estadual ou partindo de uma secretaria, e sim do legislativo nacional. “A gente não pode fazer, tomar essa atitude, porque não tem base legal para isso. Isso precisa de uma alteração legislativa, e quem tem competência para isso é o Congresso Nacional”, finalizou.

(Correio)