Mulher tenta conseguir tratamento para filhos trigêmeos diagnosticados com autismo severo na Bahia

trigêmeos

Uma mulher, que mora na cidade de Itapetinga, no sudoeste da Bahia, luta para conseguir tratamento adequado para os filhos trigêmeos. As três crianças, de dois anos, foram diagnosticadas com transtorno do espectro autista severo.

De acordo com Naiara Alves Matos, sem o tratamento correto, as crianças podem ter a qualidade de vida e o desenvolvimento comprometidos. Tiago, Benjamim e Wesley nasceram em 2019, mas só tiveram a doença identificada no ano passado.

“Eu comecei a perceber que eles não davam tchau, não interagiam com a gente, não davam beijinho. Meu esposo perguntava porque eles não faziam isso, mas eu achava que era por causa deles terem nascido prematuro”, contou a mãe dos meninos.

Segundo Naiara Alves, a medida em que o tempo passava, os meninos se apresentavam mais agressivos, agitados e nervosos. Os trigêmeos chegavam a se machucar por causa da irritação.

“Quando a gente sai, que chega no ambiente aberto, eles começam a bater a mão no ouvido, começam a sentar, começam a gritar. Eles tem seletividade alimentar, só tomam mingau, na mamadeira. Não aceitam outro tipo de alimento, só um que começou a beber água agora”, disse.

Naiara Alves procurou uma neuropediatra, que diagnosticou as crianças, quando elas tinham 1 ano e seis meses.

“Os três batiam a cabeça na cabeça. O Wesley se fere, senta e começa a se coçar e quando a gente ver, já está sem a pele, sangrando. Ele fere a cabeça e agora começou a arrancar a pelezinha da boca”, contou a mãe dos trigêmeos.

Segundo o relatório médico, os trigêmeos, já naquele momento, precisariam de um acompanhamento urgente com um neuropediatra, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e acompanhante terapêutico, com uma análise de comportamento aplicada.

Sem plano de saúde e dinheiro para pagar tratamento particular, Naiara Alves procurou a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Itapetinga, mas o tratamento específico não é realizado na cidade.

“A APAE disse que não tinha, que eles não oferecem essa terapia, eles oferecem uma terapia convencional. Uma terapia, de 15 em 15 [dias], de uma hora, ou duas vezes na semana com 30 minutos”.

“Então para uma criança, que está com transtorno espectro autista, grau severo, uma terapia que não é intensiva, não vai oferecer a ela qualidade de vida, não vai oferecer a elas evolução. Ainda mais no quadro em que meus filhos se encontram, de mutilação e crises diárias”, lamentou Naiara Alves.

Para ter acesso ao tratamento prescrito pela neuropediatra, de 30 horas semanais, a mãe das crianças entrou com um pedido no Ministério Público da Bahia (MP-BA).

No entanto, o promotor responsável pelo caso, arquivou o processo por entender que a terapia convencional seria o suficiente para os trigêmeos.

Naiara Alves reabriu o processo, mas afirma que não sabe mais para onde recorrer.

“Se eles não receber a estimulação, eles regridem, chegam a um estado de calamidade e é o que está acontecendo meus filhos. Eles têm dois anos e 10 meses e eu estou vendo meus filhos dentro de casa, se mutilando, se batendo, gritando, dando crises e eu sozinha sem saber o que faço”, reclamou.

“Tento respirar, para não surtar e adoecer, porque se eu adoecer, o que será deles? Eles não têm mais ninguém, eles não têm mais minha mãe, eu perdi minha mãe faz um ano. Tem sido dias difíceis”.

A Prefeitura de Itapetinga informou que os trigêmeos foram cadastrados no Centro Especializado em Reabilitação do município quando tiveram o diagnosticados e que por abandono do tratamento, foram descadastrados.

De acordo com o órgão, as crianças estão em uma fila de espera para serem novamente cadastradas e atendidas pela APAE e assistidos, através da policlínica municipal, por fonoaudiólogos e psicólogos.

*G1