Petrobrás se desfaz de ativos na Bahia e preocupa trabalhadores

Para concentrar as atividades no Rio de Janeiro e São Paulo, a Petrobrás vem se desfazendo de seus negócios, no resto do país. E a Bahia é um dos estados afetados por essa saída, tanto pelos empregos que aqui deixarão de ser gerados, quanto pelo montante que deixará de ser arrecadado pela unidade federativa, devido a estatal não mais aqui produzir.

Os impactos mais sentidos dessa saída são nos campos terrestres que pertenciam a empresa (localizados na Região Metropolitana de Salvador), e que foram vendidos, em agosto passado, para a SPE Rio Ventura S.A., subsidiária integral da 3R Petroleum e Participações S.A; na Refinaria Landupho Alves (RLAM), arrendada por um grupo dos Emirados Árabes Unidos; e a Fábricas de fertilizante nitrogenado da Bahia (Fafen-BA).

Além destes há o imponente prédio “Torre Pituba”, inaugurado em 2015. De acordo com a Petrobrás, a desocupação do prédio já está ocorrendo. O destino das equipes que trabalhavam no edifício já foi definido e o processo de apresentação nos destinos foi postergado por conta da pandemia. Após a desocupação o prédio será “hibernado”.

Com relação aos empregados, tanto os dos que trabalhavam no prédio e nos outros equipamentos pertencentes a Petrobrás, a estatal afirmou que nenhum funcionário da será demitido, “mas transferido para outras atividades em outros polos da companhia ou o empregado pode optar por aderir ao programa de desligamento voluntário ou por acordo. O que norteia a movimentação dos empregados da Petrobras é o acordo firmado com o MPT [Ministério Público do Trabalho], disse a empresa em nota.

Ainda segundo o informe, os desinvestimentos possibilitam que a Petrobras concentre recursos em ativos de maior competitividade, sobretudo em águas profundas e ultraprofundas, principalmente no pré-sal, onde a companhia alcançaria melhor retorno financeiro. “Isso contribui para o equilíbrio financeiro e o melhor desempenho da companhia”, explica a Petrobrás, ressaltando que a redução da alta dívida que possui é um passo importante para recuperar a capacidade de investimento.

“Ao realizar uma gestão ativa de nosso portfólio, podemos usar o recurso obtido para investir em ativos que geram mais valor e reduzir nosso endividamento. Dado o passado recente de volatilidade do Brent, a Petrobras tem buscado maior resiliência a preços baixos e a redução da alavancagem financeira. Para tal, tem-se buscado priorizar ativos e projetos onde a Petrobras apresenta vantagem competitiva”, prossegue a estatal

“A avaliação constante dos ativos baliza as decisões da companhia quanto à composição da nossa carteira. Os desinvestimentos não implicam em descontinuidade da atividade e sim na oportunidade de novas empresas operarem e investirem nos ativos, a entrada de novas empresas no mercado de óleo e gás já tem casos positivos no sentido de incrementar as economias locais”, finaliza a nota da Petrobrás.

Fonte: Tribuna da Bahia