Mortes violentas contra crianças cresceram 3,6%; CNJ recomenda campanhas nos tribunais

                                        Foto: Ilustração/Pixapay

 

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, há mais de dois anos, cerca de 17 crianças e adolescentes morrem por dia, de forma violenta no Brasil. A cada duas horas, mais uma dessas vidas são perdidas. Diante deste cenário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou por unanimidade a recomendação para que os tribunais veiculem campanhas com os canais de denúncia.

O ano de 2020 apresentou um aumento de 4% das mortes violentas em todas as idades, apesar das medidas de isolamento social. No caso de crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, 6122 morreram por causas violentas, representando um aumento de 3,6% nas mortes violentas em relação a 2019.

Na pandemia de COVID-19, as crianças ficaram ainda sem contato com outros familiares, vizinhos e profissionais de educação. A recomendação da CNJ visa conscientizar a população sobre a importância da rede de apoio, composta ainda por conselhos tutelares, defensorias, Ministério Público, hospitais e postos de saúde. A medida foi adotada a partir do pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros.

Em todo o Brasil, denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, disque direitos humanos. Na Bahia, o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CECA) atende pelos números (71) 3321-2194 e (71) 3321-3613. Em Salvador, o Centro de Defesa da Criança e do Adolescente pode ser acionado pelo número (71) 3321-5196 ou (71) 3321-1543 e ainda através do e-mail [email protected] A unidade fica no Pelourinho, na rua Gregório de Mattos, n°51, 1° andar.

Violências contra crianças e adolescentes na pandemia                              

Ainda de acordo com anuário Brasileiro de Segurança Pública, as mortes violentas intencionais em crianças e adolescentes, com vítimas de 10 a 19 anos, concentram-se mais nos estados do Norte e Nordeste do país. A Bahia encontra-se acima da média nacional, que está em 20,04 mortes a cada 100 mil habitantes.

Em todas as faixas etárias, crianças e adolescentes do gênero masculino compõe a maioria das vítimas de mortes violentas. Durante a primeira década os números tem se equalizados em relação ao gênero feminino. Contudo, dos 10 aos 14 anos, o índice dispara: 77% das vítimas são meninos, chegando ao índice de 93% na faixa dos 15 aos 19. Nessas idades, 74% das vítimas são negras, geralmente vítimas de armas de fogo.

*Reportagem A Tarde