Setembro Amarelo: um novo olhar para o suicídio – por Gilnês Sampaio

Este tema tem sido bem discutido atualmente, até porque os índices são assustadores. Hoje a sociedade vivencia uma condição de alerta constante em relação ao suicídio, no entanto, continua sendo um tabu, um motivo de vergonha e condenação, sinônimo de loucura. Suicídio refere-se a um desejo de morrer, um ato voluntário, planejado e executado. Uma vontade de “resolver” os problemas, como se o suicídio fosse o xeque-mate para a dor e o sofrimento. Precisamos discutir, não podemos ignorar.

Quando falo em suicídio, vejo que existem duas modalidades:

*Suicídio direto (arma de fogo, arma branca, enforcamento, uso letal de substâncias químicas, atirar-se de uma certa altura, eletrocutar-se, etc.);

*Suicídio indireto (alcoolismo, tabagismo, drogadicção, excesso de velocidade, alimentação indevida, etc.).

Sem falar na automutilação, que é um suicídio a longo prazo.

O suicídio tem diversas causas, dentre as quais citamos:

*Dependência química;

*Pressão psíquica e estresse por problemas socioeconômicos;

*Transtornos psiquiátricos, ressaltando a depressão;

*Intolerância a perdas, fracassos, frustrações e privações;

*Ideologias diferenciadas (religiosas, políticas, culturais);

*Genéticas, hereditárias, decorrente do bioquimismo (produção e recaptação hormonal);

Desta forma, se constitui grupo de risco:

*Filhos de pais depressivos;

*Membros se família com padrões suicidas.

“Sou a memória viva daqueles que amo hoje, daqueles que amei outrora e depois perdi.”

As tentativas suicidas são um grito de socorro. O suicídio é o grito de socorro que não foi ouvido, atendido e compreendido.

Na fase da infância e adolescência é preciso dirigir um olhar para:

*Os mecanismos de identificação: “meu pai foi corajoso, ele se suicidou”;

*Os conflitos internos e externos;

*A construção da identidade (quero ser parecido com…);

*A construção da autonomia, que pode resultar em complexo de inferioridade e baixa autoestima.

Na fase da terceira idade é preciso estar atento:

*Ao sentimento de rejeição e abandono;

*À inaceitação da enfermidade e incapacidade;

À crise existencial, ao sentido da vida.

O suicida passa da extrema impotência (não posso fazer nada) para a extrema potência (a vida é minha, faço o que bem quiser).

O suicídio, em síntese, é decorrente da dificuldade de entrar em contato consigo mesmo, de amar-se e aceitar-se.

Ninguém precisa solucionar o problema do outro, basta ouvir. As soluções são encontradas dentro de si mesmo, refletindo sobre seus conflitos e sentimentos. É preciso:

*Abrir os ouvidos da alma;

*Respeitar as regras do jogo;

*Decodificar a mensagem não dita;

*Ter serenidade para aceitar o que não pode ser mudado;

*Respeitar os limites internos e externos.

Baixe as armas. Derrube os muros. Crie pontes.

Entalhe o seu EU a cada dia.  Quando você transforma pedra em diamante, a vida te revela uma face extraordinária.

“Aquele que vende o outro é forte. Aquele que vence a si mesmo é poderoso.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gilnês Sampaio

Psicanalista Clínica