SAJ: fechamento do comércio gera mais de 1.500 demissões entre abril e maio; comerciantes relatam dificuldades

Os comerciantes de Santo Antônio de Jesus relatam dificuldades com o fechamento do comércio como medida de enfrentamento à pandemia da Covid-19. Ao repórter Antônio Carlos, o empresário de prenome Mateus explicou que a situação está complicada por não ter renda para pagar aluguel e funcionários, “Do jeito que está indo não dá não. Tive que demitir uma pessoa. A coisa está feia. Só Jesus na causa”, disse. Para a comerciante Elisa Lírio, o comércio deveria funcionar na forma de rodízio como estava no começo do ano, “Quando fechar uns 15 dias e depois abre, todos vão para as ruas de vez. As pessoas dentro das lojas estão mais seguras do que nas agências bancárias e mercados”, frisou. Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), entre abril e maio, Santo Antônio de Jesus registrou 1582 demissões. Alguns empresários no município não conseguiram resistir a crise e fecharam seus estabelecimentos.

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No Brasil, foram 1.459.099 desligamentos e 598.596 contratações em abril. Já em maio, 331.901 postos de trabalho formais foram fechados. De acordo com os dados divulgados na última quinta-feira (16) do IBGE (Instituto de Geografia e Estatística), a pandemia provocou o fechamento de 522 mil empresas no país na primeira quinzena de junho. O número representa quase 40% do total de 1,3 milhão de empresas que encerraram suas atividades, temporária ou definitivamente, nesse período. O levantamento ainda apontou que um terço das empresas brasileiras demitiu e só 13% tiveram acesso ao auxílio federal para ajudar a pagar os empregados.
Já a maioria das 522 mil empresas que fecharam por causa da pandemia era de pequeno porte (99,2%), com até 49 empregados; 4,1 mil (0,8%) eram de porte intermediário, com 50 a 499 empregados; e apenas 110 eram de grande porte, com mais de 500 empregados.
O setor de serviços foi o mais atingido. Foram 258,5 mil (49,5%) empresas dessa área, seguida do comércio com 192 mil (36,7%), além de 38,4 mil (7,4%) da construção e 33,7 mil (6,4%) da indústria.
A pesquisa apontou também que a pandemia teve impacto negativo em 70% das empresas em funcionamento. Por outro lado, 16,2% relataram que o efeito foi pequeno ou inexistente, e para 13,6% o impacto foi positivo.
As empresas de pequeno porte foram as que mais notaram efeitos negativos (70,1%), nas intermediárias ficou em 66,1% e, nas de grande porte, o percentual chegou a 69,7%. A percepção negativa foi maior no setor de serviços (74,4%), enquanto na indústria ficou em 72,9%, na construção atingiu 72,6% e no comércio foram 65,3%.
Outro fato registrado pela pesquisa foi a queda nas vendas ou nos serviços comercializados em decorrência da pandemia, que foi indicada por sete em cada dez empresas em funcionamento (70,7%) na primeira quinzena de junho.
A pesquisa estima que, desde o início de março, 1,2 milhão (44,5%) das empresas em funcionamento adiaram o pagamento de impostos. Mais da metade (51,9%) considerou ter recebido apoio do governo para isso.
Perto de 347,7 mil (12,7%) empresas conseguiram crédito emergencial para pagamento da folha salarial desde o início da pandemia. Entre elas, quase sete em cada dez (67,7%) consideraram ter tido apoio do governo na adoção dessa medida.
Se comparado ao início de março, o número de funcionários foi mantido em pouco mais de seis em cada dez empresas em funcionamento (61,2%). No entanto, 34,6% indicaram redução no quadro, e as que aumentaram o número de empregados foram apenas 3,8%. Entre as 948,8 mil empresas que reduziram a quantidade de empregados, 37,6% diminuíram em até 25% seu pessoal, 32,4% cortaram entre 26% e 50%, e 29,7% encolheram seu quadro acima de 50%. (juruaemtempo)