SAJ: pais e mães dos alunos do Cetep repudia o retorno das aulas presenciais; confira nota

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Pais e mães dos alunos do Cetep Recôncavo repudiam retorno das aulas presenciais sem vacina na Bahia. Em nota, eles frisam que não há condições de voltar as aulas, visto que, os adolescentes são mais propícios a ter contato físico.

O governador Rui Costa anunciou o retorno das aulas no dia 26 de julho (ver aqui).

Em nota, os pais salientam que as escolas não vão conseguir se adequar aos protocolos de biossegurança em pouco tempo. Os pais salientam também a questão do transporte escolar  e dos equipamentos para as aulas remotas nos dias que os alunos ficarão em casa.

“O amor dos pais pelos  filhos  é o que se tem de mais sagrado e intenso. E temos ao nosso lado a Constituição Federal e o ECA, que garantem a preservação da vida acima de tudo. Por amor à vida dos nossos filhos, familiares, professores e demais atingidos por esta medida, continuamos na luta pelo direito das aulas online até a vacina”, diz trecho da nota.

Confira abaixo a nota na íntegra: 

Nós, pais e mães de alunos do Cetep  Recôncavo, viemos a publico repudiar com veemência a volta as aulas presenciais sem vacina no Estado da Bahia. Afinal, quaisquer atividades que promovam aglomeração de pessoas possibilitará o aumento de casos e de óbitos. Sabemos que o comportamento dos adolescentes é feito de abraços e aproximações e que na escola pública não terá funcionários suficientes para separar esses jovens.

O retorno programado para o dia 26 de julho, não dará tempo hábil para o planejamento e a adequação da escola conforme os protocolos de biossegurança, o que aumenta os riscos aos professores, aos alunos e demais funcionários, que retornarão sem saber exatamente os procedimentos de biossegurança, pois estão sobrecarregadas com aulas on line de segunda a sábado e sem condições de realizarem esses planejamentos.

Outro fator é o transporte escolar, a Rede Estadual utiliza o mesmo transporte da Rede Municipal, como os alunos irão deslocar se ainda não tem transporte escolar? Como será o protocolo de biossegurança para transportar os alunos?

Em relação aos equipamentos tecnológicos para os alunos que em dias alternados ficarão em casa, como será transmitido? Pois a escola não dispõe desses equipamentos, os professores utilizam as suas tecnologias pessoais para as aulas remotas. É justo que o professor leve o dele? Como eles esses profissionais se dividirão em dois para atender quem está em casa e na escola já que cumprirão sua carga horária na escola? Percebemos que o estado não planejou e nem equipou as escolar como deveria para atender aos nossos filhos, fazendo-os de cobaias e prejudicando mais ainda o aprendizado dos nossos filhos, poias as aulas on line tem acontecido com uma boa frequência de alunos.

Como retirarão o auxilio de um aluno que não frequentará as aulas presenciais, se esse não se sente seguro, tem comorbidades ou mora com idosos? É justo isso?

 Vale lembrar que  a  pandemia do coronavírus já ceifou mais de 500 mil vidas no Brasil. Apesar de atingir em menor número crianças e adolescentes, já se sabe que a Covid-19 deixa sequelas graves e desencadeia síndrome rara na faixa até os 19 anos de idade. E que o nosso pedido está amparado  na Constituição Federal (CF) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o direito à vida e à saúde são os mais importantes, logo, descumpri-los seria uma verdadeira afronta ao princípio da dignidade da pessoa humana. 

O artigo 7º do ECA dispõe que “a criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência”. 

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais”, aponta o artigo 5º.

Diante do exposto, constata-se que a garantia do direito à vida é responsabilidade inerente ao poder público. Logo, se houver o retorno às aulas presenciais em 2021, neste cenário pandêmico sem vacina, seria impossível assegurar a saúde de estudantes e de toda a rede de apoio que envolve a abertura das escolas.

O amor dos pais pelos  filhos  é o que se tem de mais sagrado e intenso. E temos ao nosso lado a Constituição Federal e o ECA, que garantem a preservação da vida acima de tudo. Por amor à vida dos nossos filhos, familiares, professores e demais atingidos por esta medida, continuamos na luta pelo direito das aulas online até a vacina. 

Pais e mães do CETEP Recôncavo