Ragnarok: Superintendente de secretaria de Leão teria proposto superfaturamento em EPIs, diz site

Preso na Operação Ragnarok, o empresário Paulo de Tarso Carlos, dono da Biogeoenergy, uma das empresas envolvidas na compra de respiradores não entregues pelo Consórcio Nordeste no valor de R$ 48 milhões, revelou em depoimento a Polícia Federal  ter recebido uma proposta de superfaturamento de insumos de combate ao coronavírus da parte de um dos superintendentes da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), comandada pelo vice-governador da Bahia, João Leão (PP). As informações  foram publicadas no Site Bahia Notícias.

Segundo a publicação, o empresário revelou em depoimento que, depois de ter se reunido com João Leão, o superintendente Deraldo Alves lhe chamou para uma conversa particular, na qual lhe teria oferecido um negócio relativo a “superfaturamento de equipamentos de proteção individual” usados no combate ao coronavírus.

Ainda conforme o Bahia Notícias, Deraldo propôs que a Biogeoenergy elevasse o preço dos insumos em 50% na venda para o Estado. No kit teste, que custaria R$ 100,  Deraldo propôs que a Biogeoenergy elevasse o preço para R$ 150.”Soube, posteriormente, que o governo chegou a adquirir kits por R$ 180 (cento e oitenta reais) através de outras empresas”, disse o empresário em depoimento.

Entenda o caso:

A compra dos ventiladores que agora é algo de investigação por deputados, Polícia Civil e o Ministério Público Federal foi concretizada pelo governo da Bahia, que pagou adiantado pelos produtos que nunca foram entregues.

Foi a gestão do governador baiano que, inicialmente, denunciou e deflagrou a Operação Ragnarok para apurar irregularidades na empresa que recebeu pelos equipamentos, a Hempcare Pharma.

No entanto, a investigação tomou outros rumos. Dias após a deflagração da Ragnarock pela Polícia Civil da Bahia, a dona da empresa Hempcare, Cristiana Prestes, um dos alvos da operação, citou o ex-chefe da Casa Civil do estado, Bruno Dauster, como o principal responsável pelas negociações envolvendo os respiradores. Segundo ela, que chegou a ser presa temporariamente, Dauster foi quem a procurou e ele conduziu “99,9%” das tratativas. O chefe da Casa Civil da Bahia foi exonerado após a declaração

Após ter seu nome associado à compra mal sucedida de respiradores, o ex-secretário afirmou que sempre agiu “com absoluta transparência e rigor ético” e que deixou a pasta para evitar a politização do tema.