
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) procurou nessa terça-feira (10) eximir o pai de culpa nos atos terroristas promovidos no domingo, com a invasão e depredação dos prédios dos três Poderes da República, em Brasília. O movimento ocorre na iminência de Bolsonaro retornar ao Brasil, por alegados problemas de saúde e também por questões legais.
Flávio defendeu que os autores dos ataques, mesmo sendo identificados como bolsonaristas radicais, sejam punidos individualmente.
“Muitas pessoas tentaram vincular Bolsonaro ao que aconteceu, a esse ato triste, lamentável, injustificável na nossa Casa [Congresso Nacional]. Eu gostaria de me somar às palavras de Vossa Excelência, presidente, na parte em que o senhor coloca a individualização das responsabilidades”, disse.
Antes de Flávio, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), havia dito que buscará a responsabilização dos terroristas, com processos individualizados para pedir a reparação financeira pelos danos causados, inclusive com o confisco de ativos.
“Não queiram criar essa narrativa mentirosa, como se houvesse alguma vinculação de Bolsonaro a esses atos irresponsáveis. O presidente Bolsonaro, como muitos aí já falaram, após o resultado das eleições ficou em silêncio, se recolheu e está lambendo as feridas. É o que ele está fazendo, praticamente incomunicável”, garantiu Flávio Bolsonaro, que participou remotamente da sessão do Senado que aprovou o decreto de intervenção na segurança do Distrito Federal — ele e outros sete senadores bolsonaristas votaram contra a proposta.
Foi novamente o filho do ex-presidente que vocalizou as motivações da oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), colocando em dúvida a qualificação do interventor, o secretário-executivo do Ministério da Justiça Ricardo Cappelli, e levantando uma tese amplamente disseminada entre bolsonaristas, sem que haja nenhuma prova: o de que a destruição teria sido causada por infiltrados ligados à esquerda.
“Não pode descartar nenhuma possibilidade, eu já vi infiltrados em manifestações legítimas, que não está descartado que tenha acontecido”, disse Flávio, questionando o fato de Cappelli ser jornalista de formação e ter sido presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) de 1997 a 1999. “O interventor, que é um jornalista, que não conheço, não entende nada de segurança pública, foi presidente da UNE e secretário de comunicação do Maranhão. Não sei se essa pessoa vai ter isenção suficiente para, se ao identificar pessoas que tenham vínculos com partidos ligados à esquerda, promover a justiça”.
Fonte: Valor Econômico


