João Roma, presidente do PL na Bahia e ex-ministro da Cidadania, declarou nesta segunda-feira (25), em entrevista à Rádio A Tarde FM, que considera o indiciamento do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) pela Polícia Federal um reflexo de perseguição política. “Causa revolta o grau de perseguição em cima do presidente Bolsonaro”, declarou o ex-ministro durante a entrevista em Salvador.

João Roma criticou a condução das investigações pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e classificou as ações como “motivadas por passionalismo”.
“Da maneira que o ministro Alexandre de Moraes faz, parece que ele é motivado por um passionalismo de querer punir Bolsonaro. Ele faz isso com tal sanha que começa a desmerecer todo o rito processual”, disse Roma.
O político apontou falhas no processo de apuração da Polícia Federal, comparando o suposto plano de atentado contra o presidente Lula (PT) com o ataque sofrido por Bolsonaro em 2018.
“Diferente do atentado que realmente ocorreu com o presidente Bolsonaro e não teve a devida investigação, no caso do suposto plano, a Polícia Federal agora utiliza de todos os meios sem nenhuma transparência para desenvolver uma narrativa”, declarou.
Roma também questionou a postura do STF e de Moraes, especialmente nas oitivas de depoentes como o tenente-coronel Mauro Cid. Segundo ele, “simplesmente o juiz que é para ouvir o depoimento diz: ‘não é isso, nós já sabemos como é’. Quer simplesmente que ele confirme uma narrativa estabelecida dentro da cabeça, já pré-julgando. Esse não é o papel de um magistrado”.
O ex-ministro comparou o cenário atual com o que ocorreu na Operação Lava Jato, afirmando que irregularidades processuais estão sendo cometidas na instância máxima do Judiciário.
“Se se questiona que no passado a Operação Lava Jato, que era desenvolvida pela Justiça Federal lá no Paraná, foi praticamente anulada em tudo, o que ocorre hoje é muito pior, pois está na instância máxima todos os pré-requisitos de nulidade processual”, avaliou.
João Roma reforçou que o atual modelo de condução das investigações compromete a segurança jurídica no Brasil.
“O que nós queremos é segurança jurídica, e o que estamos vendo é justamente o contrário disso: dois pesos e duas medidas. Até um veículo como o Estadão diz hoje que o Alexandre de Moraes não pode ao mesmo tempo ser vítima e fazer todas as medidas de um processo”, concluiu.



