Fake news de 2022 sobre riqueza de Lulinha e suposta sociedade na Petrobras, JBS e Oi volta a circular nas redes sociais

Mensagem antiga que acusa filho de Lula de ser dono de grandes empresas é falsa e voltou a circular por causa do ano eleitoral.

Post fabricado

Voltou a circular nas redes sociais (WhatsApp, Instagram e X) uma mensagem falsa criada em 2022 que acusa Fábio Luís Lula da Silva, um dos filhos do presidente Lula, de ser sócio majoritário de empresas como Petrobras, JBS e Oi, além de dono de frigoríficos e grandes fazendas. O post falso utiliza a logomarca da Veja para tentar dar credibilidade à informação. No entanto, a revista informou que não publicou reportagem com esse conteúdo.

“LULINHA & VEJA LANÇADA ONTEM EM SP VAI QUEBRAR O PAU: O desespero do presidiário Lullarápio LADRÃO, seus filhos que nunca trabalharam”, diz trecho da mensagem.

O conteúdo foi desmentido por agências de checagem de fatos, como a Agência Lupa e o Boatos.org.

Ao contrário do que afirma o conteúdo falso, Fábio Luís Lula da Silva não está entre os acionistas da Petrobras. A empresa é uma companhia de capital aberto cujo acionista majoritário é o governo federal, que possui cerca de 50,2% das ações ordinárias com direito a voto.

Com essa participação, a União tem a prerrogativa de indicar o presidente e os diretores executivos da companhia. Atualmente, a empresa é comandada por Magda Chambriard.

O nome de Fábio Luís Lula da Silva também não aparece entre os diretores da estatal.

Uma busca na plataforma Aleph, da Organized Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP), mostra que o empresário é sócio-administrador em duas empresas: G4 Entretenimento e Tecnologia Digital Ltda e FFK Participações Ltda.

De acordo com dados da Receita Federal, a G4 Entretenimento atua na área de suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação. A empresa foi aberta em 2004 e tem como sócios Fábio Luís Lula da Silva e Fernando Bittar.

Já a FFK Participações aparece na base da Receita Federal como extinta por liquidação voluntária. Além de Lulinha e Fernando Bittar, também aparece como sócio Kalil Bittar.

Registros públicos indicam ainda participação do empresário em outras duas empresas: BR4 Participações, classificada como holding de instituições não financeiras, e LLF Participações – Eireli.

Boatos antigos

O boato de que o filho do presidente Lula seria acionista majoritário da Petrobras não é recente. Em junho de 2022, a Agência Lupa checou um vídeo em que um homem afirmava que um dos filhos do presidente seria o principal acionista de uma empresa que investe na Petrobras. Na ocasião, a estatal negou a informação.

A mensagem falsa também afirma que Lulinha seria dono da JBS e da operadora Oi. No entanto, o nome de Fábio Luís Lula da Silva não aparece na lista de sócios majoritários dessas empresas.

Dados da Receita Federal indicam que, entre os dirigentes da JBS, estavam Gilberto Tomazoni, Wesley Mendonça Batista Filho, Eliseo Santiago Perez Fernandez, Guilherme Perboyre Cavalcanti e Jeremiah Alphonsus Callaghan.

Já a Oi possuía, entre seus principais administradores, Raphael Manhães Martins, Armando Lins, Mateus Affonso, Eleazar de Carvalho, Cristiane Barretos, Henrique José, Rogerio Takayanagi, Claudia Quintella Woods, Marcos Grodetzky, Paulino do Rego e Rodrigo Modesto de Abreu.

Alegações sobre frigoríficos e fazendas

O boato de que o filho de Lula seria proprietário de frigoríficos e fazendas circula ao menos desde 2015. Na época, advogados de Fábio Luís Lula da Silva afirmaram que ele nunca foi “sócio ou manteve qualquer relação profissional” com “negócios relacionados à agropecuária, agroindústria, também não é, nem nunca foi, proprietário de frigoríficos, fazendas ou propriedades rurais”.

Sobre a Oi, o empresário chegou a ser investigado por suspeita de receber repasses superiores a R$ 100 milhões do grupo Oi/Telemar para empresas ligadas a ele, como Gamecorp e Gol. No entanto, a Justiça de São Paulo arquivou a denúncia em janeiro de 2022.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo informou que a Oi cobrou em 2020 da Gamecorp S.A., empresa que tinha o filho do presidente como principal administrador, o pagamento de R$ 6,8 milhões referentes a empréstimos feitos entre 2006 e 2007.

Outro boato afirma que Lulinha seria sócio majoritário da Cooperativa dos Produtores de Carne e Derivados Cooperfrigu, localizada em Gurupi (TO). Entretanto, registros mostram que os administradores da cooperativa são Leandro Luiz Stival Ferreira, Oswaldo Stival Junior e Sebastião Gomes Machado.

Conteúdos semelhantes também circularam em 2008 e voltaram a viralizar em 2019, sugerindo que o filho de Lula teria comprado a “maior fazenda do mundo”. A informação também foi desmentida.

Fonte: Agência Lupa e Boatos.org.