Defesa de Morão nega acusações sobre uso de arma: “não possui e nunca possuiu”

Advogados afirmam que investigações internas não encontraram qualquer evidência de posse de arma de fogo pelo vereador de Santo Antônio de Jesus

Foto: Reprodução

Os advogados do vereador Edivan de Jesus Santos, o Morão (União Brasil) — que foi solto na última semana após passar cerca de oito meses preso por violência doméstica e familiar contra a ex-companheira —, afirmaram que o vereador nunca possuiu arma de fogo. Segundo Samuel Lordelo e Luiz Freaza, advogados de defesa, apurações internas esclarecem que Morão não possui arma e também não responde a qualquer condenação relacionada ao porte de armamentos.

“Morão não possui arma, que fique claro. Ele nunca possuiu, pelo menos até onde a gente chegou a investigar esse fato — porque a defesa também investiga internamente, conversa com o cliente e conversa com a família —, ele nunca possuiu arma. Tanto é que, nessa situação, ele não tem nenhuma condenação, nenhum resquício, nada que possa ser imputado a ele agora por arma de fogo. Não se fala mais sobre isso, já foi esclarecido que ele não possui arma.”, afirmou o advogado em entrevista ao Blog do Valente.

Houve relatos de que existiria um vídeo mostrando Morão tentando pegar uma arma. No entanto, segundo a defesa, nenhuma evidência nesse sentido foi comprovada. Os advogados afirmaram que, após apurações e conversas sobre o assunto, não foi constatada a existência de arma relacionada ao vereador.

“Não foi encontrada nenhuma arma com ele, nem simulacro, nem nada. Nem nenhum tipo de evidência que o mostrasse com uma arma. Não, isso aí não chegou ao nosso conhecimento, não. A questão de arma realmente não existiu.”, declarou.

De acordo com o advogado de Morão, também houve um impasse envolvendo as condições impostas pela Justiça para o cumprimento da decisão de soltura. Segundo a defesa, uma das exigências era o uso de tornozeleira eletrônica, o que motivou a apresentação de um novo recurso ao juiz responsável pelo caso.

Ainda conforme o advogado, questões administrativas também contribuíram para o adiamento da saída do vereador do sistema prisional.

Morão foi preso em 23 de outubro de 2025, em Salvador, durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça. Na ocasião, ele foi localizado em uma clínica de saúde mental no bairro Iapi, Jardim Santa Mônica, onde estava internado.

Após a prisão, o vereador foi encaminhado para o Conjunto Penal de Valença, no Baixo Sul da Bahia, onde permaneceu custodiado à disposição da Justiça até a concessão da liberdade.

O caso que motivou a prisão foi registrado em 11 de outubro do ano passado, em Santo Antônio de Jesus. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou medidas protetivas em favor da ex-companheira do vereador.

Na época, a Câmara Municipal informou que havia tomado conhecimento da prisão, mas que ainda não tinha sido oficialmente notificada sobre eventuais medidas judiciais contra o parlamentar. Um dia antes de ser preso, Morão protocolou um pedido de afastamento temporário para tratamento psiquiátrico.

Em abril deste ano, a Câmara Municipal aprovou a abertura de um processo de cassação contra Morão. A medida foi proposta por Sérgio Gordo do Mutum e colocada em votação pelo presidente da Casa, o vereador e advogado Caíque Barbosa.

Morão também foi alvo de uma investigação por tentativa de feminicídio contra a mesma mulher. O caso ocorreu em fevereiro de 2025, quando a vítima relatou à polícia ter sido agredida com golpes de faca e pedaço de madeira durante uma discussão motivada por ciúmes, no bairro Salgadeira, em Santo Antônio de Jesus.

Após o episódio, a Justiça decretou a prisão preventiva do vereador. Ele ficou foragido por cerca de 20 dias e foi localizado em março, no distrito de Boipeba, em Cairu.

Depois de ser transferido para unidades prisionais da região, Morão obteve liberdade em abril de 2025 após audiência de instrução e julgamento. O juiz responsável pelo caso entendeu que não havia fundamentos para a manutenção da prisão preventiva e concedeu alvará de soltura.

Em julho daquele ano, o vereador retornou ao mandato e, durante discurso na Câmara Municipal, pediu desculpas publicamente às mulheres.

Morão está no segundo mandato como vereador em Santo Antônio de Jesus. Ele foi eleito pela primeira vez em 2020, com 1.572 votos, e atualmente é filiado ao União Brasil.