Em Santo Antônio de Jesus, a fabricação clandestina de fogos de artifício é uma atividade que vem sendo praticada sem respeitar qualquer norma de segurança ou fiscalização. No fundo de quintal ou nas portas de casa. Qualquer lugar é usado por milhares de famílias para se produzirem fogos, principalmente o traque, que envolve famílias inteiras, incluindo crianças e idosos. Há três fábricas legalizadas que funcionam no Condomínio Fênix, mas apenas duas estão em atividade, a Big Fire Works e a Fábrica de Fogos Boa Vista. Apesar do iminente perigo, a produção clandestina movimenta a economia da região, que é a segunda maior produtora de artefatos pirotécnicos da América Latina, empregando cerca de dez mil pessoas, dos 86 mil habitantes, que sobrevivem com ganhos da atividade. A maior parte da produção clandestina é realizada na porta das casas, que se transformam em barris de pólvora. Os bairros Irmã Dulce, São Paulo, Joeirana, Casco e Invasão do Derba, periferia da cidade, e algumas fazendas espalhadas pela zona rural são os principais focos das fábricas clandestinas. A situação de extrema pobreza dessas comunidades obriga a população a se submeter ao trabalho perigoso. Além da situação de risco, eles contam que recebem apenas R$ 0,70 pela produção de mil traques. A produção, realizada por mulheres e criança, é comprada pelo produtor, que repassa para os comerciantes de fogos de artifício.
Fonte: Atarde



