Queixa contra implantes dentários mal feitos crescem em grande proporção

Utilização de materiais ‘piratas’ e falta de perícia de profissionais estão entre as principais causas dos problemas

Em cinco anos, a proporção de denúncias de implantes malfeitos triplicou no Crosp (Conselho Regional de Odontologia Paulista). Em 2004, uma em cada dez reclamações era referente a implantes. Ano passado, as queixas na área representaram 30% do total de 305 recebidas pelo conselho.

Hoje, 1 milhão de implantes são fixados por ano na boca dos brasileiros – 60% a mais do que se fazia há quatro anos, segundo a Associação Brasileira da Indústria Médico -Odontológica. O surgimento de clínicas populares, a oferta de mão de obra barata e despreparada em razão do excesso de faculdades de odontologia e a proliferação de implantes com peças ‘piratas’ são apontadas como causas do aumento das reclamações.

O resultado dessa salada russa pode ir muito além da perda do implante, que custa entre R$ 1.000 e R$ 3.000. A imperícia pode levar a lesões de nervos e infecções.
A auxiliar de enfermagem Maria Aparecida de Carvalho, 40, que o diga. Há um ano, ela raspou a poupança para colocar cinco implantes, que custaram R$ 8.000 em uma clínica popular. Mas até hoje ela não conseguiu ter os tão sonhados dentes. Maria sofreu uma lesão no nervo dentário na arcada superior , que levou a uma paralisia na região. “Bebia alguma coisa e babava
igual a um bebê.”

Ela denunciou o dentista ao conselho. Segundo o cirurgião-dentista Luiz Antonio Cosmo, especialista em implantologia e da Academia Americana de Osseointegração, uma tomografia da região poderia ter evitado o problema. “Tem muita clínica instalando implante a todo custo. Colocam profissionais com pouca experiência, que usam peças inadequadas”, diz ele. Outro problema comum, segundo Cosmo, é a instalação de implantes na chamada ameia interdental (espaço entre um dente e o outro), que compromete o alinhamento dos dentes restantes e, em geral, leva à perda do implante recém-colocado. Implantes fixados no osso zigomático (maçã do rosto), sem indicação precisa, também podem gerar infecção. “Falta experiência e estudo. O profissional que faz implantes precisa conhecer prótese, cirurgia e periodontia. Um bom planejamento e equipamentos adequados, certificados, são cruciais”.

Cláudia Colucci

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