COMÍCIO Peemedebista critica adversário em Governador Mangabeira
CRISTINA SANTOS PITA
Em comício no município de Governador Mangabeira (a 136 km de Salvador), no Recôncavo baiano, o candidato do PMDB ao governo do Estado, Geddel Vieira Lima (PMDB), mesmo avisando quenãoofenderianinguém, continuou a polêmica de infidelidade partidária contra a prefeita local, Domingas da Paixão, que, sendo do PMDB, declarou apoio ao governador Jaques Wagner (PT) e por isso passou a sofrer processo de expulsão da legenda. Em contrapartida, Domingas passou a acusar Geddel Vieira de racismo.
Durante o comício, o ex-ministro não citou o nome da prefeita, mas exibiu dois vídeos em que aparecem juntos, inaugurando obras na cidade e durante uma convenção do partido. O candidato do PMDB citou casos de traição, enfatizou ser baiano nato, cobrou fidelidade partidária e agradecimentos e falou do candidato ao Senado,ovice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito (PTB), a quem chamou de negro leal, como exemplo de que o PMDB não discrimina ninguém. E partiu para os ataques a Jaques Wagner, referindo-se ao governador do Estado e candidato à reeleição pelo PT, como homem branco e rico.
Geddel também falou da dedicação eempenhona eleição de Domingas da Paixão e a chamou de desleal. Ninguém pode me acusar de ter deixado um companheiro no meio do caminho, que eu traí ou fui desleal. Quando ninguém acreditava na vitória dela,pedi votos para ela como ministro de Estado. A senhora prefeita, quando resolveu trair ao PMDB que lhe deu legenda e a elegeu, poderia ter feito alegando argumentos políticos, disse.
O ex-ministro negou que tenha chamado Domingas de negra e ex-doméstica. Por conta disso está sendo acusado pela prefeita de racista. Ela disse que sou racista. Posso ser racista se tenho um negão do lado? Edvaldo Brito (vice-prefeito e candidato ao senado), negro e filho de lavadeira. Quero que meus filhos se espelhem nele, que serve de exemplo a homens e mulheres da Bahia. Não quero que meus filhos se inspirem em negra, doméstica e mulher ou em homem branco e rico se não forem sérios e honestos, atacou.
A prefeita não estava na cidade no dia do comício, mas confirmou, por telefone, as agressões verbais que diz ter sofrido de Geddel e se defendeu das duras críticas que recebeu durante os discursos. Eu estava junto com ele quando ele estava ao lado de Wagner. Se há traição foi da parte dele que rompeu com o governo do Estado. Tudo o que faço é em prol da cidade e agradecimento ao voto dos que me elegeram, disse. Sobre os vídeos, ela disse que em um deles, onde aparece inaugurando a construção de casas populares, foi obrigada a estar ali. Esse foi o dia 14 de março. Ele me chamou de negra doida e colocou seguranças na porta”.
Prefeita do PMDB pede desfiliação partidária
A prefeita de Governador Mangabeira, Domingas da Paixão, entrou na Justiçacom umpedidodedesfiliação partidária. Segundo João Daniel Jacobina, advogado de Domingas da Paixão, o processo estánoTRE. Ela tem dois motivos. O primeiro porque foi vítima de grave discussão pessoal por parte de membros do partido, por isso ela deseja sair do PMDB; segundo, houve uma mudança substancial do programa do PMDB, que tinha uma linha de atuação quando apoiava o governo do Estado.
A prefeita de Mangabeira tem a seu favor o fato de que a aliança que existe nacionalmente entre PT e PMDB, elegeu Wagner governador em 2006. Porém essa mesma aliança foi rompida pelo próprioPMDBna atual eleição, já que o candidado Geddel Vieira Lima rompeu com o governo e foi infiel à aliança PT/PMDB. A Justiça vai decidir o final desse conflito.
Daniel Jacobina preferiu não dar detalhes sobre o processo de desfiliação da prefeita do PMDB, mas adiantou que o processo de expulsão da legenda pode estar prejudicado. Isso porque o mais grave disso tudo foi a discussão que ela sofreu por correligionários do próprio partido e que compromete o vínculo dela no PMDB. Ela entrou com um processo, inclusive contra Geddel por injúria racial. A convivência dela no partido está insustentável, alegou o advogado. A prefeita de Mangabeira disse estar preocupada em terminar seu primeiro mandato. Faltam dois anos para a próxima eleição. Ainda não pensei em reeleição, declarou Domingas da Paixão.



