A cidade de Valença enfrenta um clima de tensão, insegurança e medo após o protesto da população contra a falta de médicos legistas no Instituto Médico Legal (IML) da cidade, na quinta-feira, dia 24, que culminou em atos de vandalismo contra prédios públicos, como a prefeitura e a Câmara de Vereadores, e saques e depredações em duas lojas de propriedade do prefeito da cidade, o empresário Ramiro Campelo de Queiroz (PR) (Foto 1). Boatos de novos saques surgem a todo o momento deixando comerciantes em alerta. Abri a loja, mas as portas estão em posição para fechar a qualquer momento porque não sabemos o que pode acontecer, lamentou o comerciante Rafael Ávila.
O comércio funcionou normalmente, mas as cinco lojas de propriedade do prefeito não abriram as portas. Todas as lojas tiveram a segurança reforçada com vigilantes particulares. Não foram registradas queixas em outras lojas da cidade, que se concentram, em sua maioria, no Calçadão. Ramiro Campelo é dono de concessionárias, lojas de eletrodomésticos e de produtos agropecuários. Ontem pela manhã, um depósito de mercadorias das lojas do prefeito foi apedrejado por um grupo de motoqueiros.
Na mesma hora, a Câmara de Vereadores de Valença foi evacuada após um boato de um suposto grupo que estaria se dirigindo ao centro da cidade para continuar a onda de depredações. Vamos rever toda a filmagem e fotos do episódio para levar à polícia para que os culpados sejam indiciados. Já esperávamos essa reação do povo diante da violência que se instalou na cidade, disse o presidente da Câmara, Bertolino de Jesus.
De acordo com o major PM, José Ribeiro Carvalho Pessôa, da 33ª CIPM, foram roubados eletrodomésticos, como ferros, colchões, bicicletas, liquidificadores e outros produtos das lojas do prefeito. Durante as rondas de hoje (ontem) conseguimos recuperar boa parte das mercadorias saqueadas. A polícia está nas ruas e a situação está controlada, ressaltou o major.
Cinquenta homens da Polícia Militar e da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) reforçam o policiamento pelas ruas da cidade. Na tarde de ontem (25), após uma operação da polícia na localidade de Mangue Seco, na periferia de Valença, algumas pessoas foram presas, inclusive mulheres, ligadas ao tráfico de drogas na cidade.
De janeiro até hoje foram 14 homicídios em Valença. Porém, segundo a coordenadora regional da Polícia Civil da 5ª Coorpin, delegada Glória Izabel Santos Ramos, em fevereiro foram apenas dois homicídios. A manifestação não foi contra a violência e sim pela insatisfação popular contra a administração municipal. Por conta disso, eu sugeri ao prefeito que deixasse a cidade porque as pessoas ameaçam invadir a casa dele, assegurou. A delegada disse ainda que após o protesto, 15 pessoas foram conduzidas à delegacia e ontem três foram presas por furto.
Cristina Pita
Fotos Magno Jouber



