Entrevista de Luiza Maia (PT): projeto que veta pagode deve ser votado em setembro

 

Deputada Luiza Maia, como é a ideia do projeto proposto pela senhora sobre as músicas de pagode?

A ideia do projeto é o seguinte: uma das coisas que incomoda muito as mulheres e que tem crescido muito são essas músicas que colocam a mulher como um objeto sexual ou de desejo. As mulheres estavam muito incomodadas com isso, a gente estava procurando uma saída para ver como é que a gente barra isso. Como agora sou deputada, eu vou criar esse projeto, porque eu acho que o dinheiro público, que é o nosso dinheiro, não poderia estar financiando bandas e artistas que estão incentivando o preconceito, desmoralizando as mulheres. O projeto é muito simples: o Governo não pagar essas bandas. Quando eu fiz a proposta, algumas pessoas disseram ‘não faça isso, porque essas bandas arrastam multidão’. Eu disse ‘antes de ser política eu sou educadora e acho que isso é a perda dos valores morais, da família, da fraternidade e nós não podemos deixar que isso aconteça’.

 

A senhora chegou a fazer uma pesquisa inicialmente entre as mulheres, sobretudo da capital baiana, antes de apresentar o projeto?

Não precisa fazer a pesquisa porque as mulheres em todas as reuniões, em todas as conferências que se falava sobre isso as mulheres aplaudiam e a gente tem que tomar providência. Tem alguns aí ameaçando…

 

A senhora chegou a receber ameaças?

Cheguei, tá no meu twitter. [Disseram] que se o projeto fosse aprovado, iam me matar. Eu não tenho medo. Eu vou ter medo de pessoas que gostam da baixaria? Eu não tenho nenhum pingo de medo.

 

Alguns dos seus colegas deputados, é o caso do deputado Bruno Reis (PRP), criticaram a sua postura. A senhora tem mediado essa questão dentro da Assembleia Legislativa com seus colegas. Há mais apoios ou críticas?

Muito mais apoio! As dez deputadas, comigo onze, já assinaram… Bruno Reis, porque ele é um machista, não tem coragem de assumir que é, então, ele está falando em censura. Que censura? Pegar o nosso dinheiro público para financiar coisas que desmoralizam as mulheres? A partir de Lula, ele criou uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas Para as Mulheres para acabar com a desigualdade entre homens e mulheres, o preconceito, regatar a cidadania da mulher. Como é que agora esse mesmo governo que investe tanto para resgatar o direito de igualdade entre homens e mulheres, paga as bandas que reforçam esse mesmo preconceito e que reproduzem esse mesmo preconceito, a violência, o desrespeito à mulher?

 

Deputada, o presidente Marcelo Nilo disse que esse projeto já deve vir para votação. A senhora tem a informação do presidente de que quando deverá ir à votação esse projeto?

Ele disse que o previsto é setembro, que, em setembro, quer levar ao plenário para votar.