Serviços não dão trégua: IPCA-15 sobe para 0,27% e em 12 meses está em 7,10%, a maior taxa desde 2005

A esperada trégua na inflação, em resposta à crise nos EUA e na Europa, pode não trazer alívio nos preços dos serviços ofertados às famílias brasileiras. Uma pressão que, mais uma vez, apareceu no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) – que chega em agosto com variação de 0,27%, ficando acima das expectativas do mercado. O índice medido pelo IBGE é uma prévia da taxa oficial de inflação. Neste mês, os preços da refeição em restaurante, fortemente influenciados pelos serviços, tiveram a maior contribuição para a taxa de agosto, respondendo por 15% do índice.

A inflação de serviços está, portanto, no centro do debate da política monetária. Subiram de patamar, juntamente com a renda dos brasileiros, os valores cobrados em salões de beleza, estacionamentos, oficinas, academias, médicos… Preços que vão e dificilmente voltam – ao contrário do que se observa nos alimentos que podem ficar mais baratos em resposta à safra, demanda mundial ou consumo. Neste mês, a inflação de serviços ficou em 0,46% – quase o dobro da inflação geral. Em 12 meses, encareceram 8,85%, e isso sem considerar os preços da alimentação fora de casa, que também embute serviços. No índice cheio, a inflação acumulada no período está em 7,10%, a maior desde junho de 2005.

– Apesar da desaceleração da economia, os serviços, cerca de 25% da inflação, continuam com preçosem alta. Issose dá por causa do aumento de renda dos brasileiros que permitiu a entrada de milhões de pessoas na classe média. A crise externa poderia aliviar os preços dos serviços, porém, com a perspectiva do reajuste do salário mínimo em janeiro (superior a 13%) o governo dá mais fôlego às altas – disse Luis Otávio Leal, economista do ABC Brasil, que acrescenta – Some-se a isso o fato de sindicatos reivindicarem aumentos acima de 10%. (O Globo)