Foto: Morro do Pai Inácio na Chapada DiamantinaA estiagem que atinge o semiárido da Bahia este ano está causando uma série de focos de incêndio e ameaçando o meio ambiente e pontos turísticos no Estado. Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram registradas 799 ocorrências em todo o Estado entre janeiro e última segunda-feira (2), uma média de 8,5 casos por dia. Somente nos dois primeiros dias deste mês foram registrados 16 focos de incêndio. O número de 2012 é o maior dos últimos seis anos e representa um aumento de 124% em relação ao mesmo período de 2011. A região baiana mais atingida é a da Chapada Diamantina, tradicional ponto turístico do Estado e onde várias ocorrências foram registradas nos últimos dias. As duas últimas ocorreram no fim de semana, com dois incêndios debelados em Campos de São João e em Lençóis. Na quinta-feira (29), um grande incêndio já havia atingido o morro do Pai Inácio, tradicional ponto de visitação localizado próximo à BR-242, no município de Palmeiras. Por conta da estiagem atípica –já que março é um mês tradicionalmente de chuvas– e do aumento no número de ocorrências, o Instituto Chico Mendes, ligado ao Ministério do Meio Ambiente, enviou duas aeronaves ao aeroporto de Lençóis, mas até mesmo o abastecimento de água dos aviões é considerado um problema. ?Estamos num momento de tensão. Existe uma possibilidade grande de novos incêndios. Nessa época de março há sempre chuva, e este ano ela não chegou. E o pior, há escassez de água armazenada. Temos os aviões, só que temos um problema logístico. O próprio aeroporto não tem muito de onde tirar água. Estamos tendo que improvisar, com carros pipa, pegando água no rio. Isso porque há deficiência de usar água do hidrante do aeroporto. Como a tendência é que piore, daqui a dois, três meses, mesmo que tenha os aviões, não teremos água?, disse o chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina, Bruno Lintomen. ?Como o sertão está numa seca grande, para ter uma ocorrência é algo extremamente rápido. Em março do ano passado, teria dois ou três focos nessa época, e esse ano tivemos vários. Não é normal isso. Nossa grande quantidade de focos é no período de setembro, quando há uma estiagem normal?, acrescentou. Os incêndios também preocupam a Defesa Civil Estadual. ?Há uma preocupação porque os incêndios também causam danos à produção e ao meio ambiente e prejudicam pessoas. Estamos monitorando todas as situações?, disse o coordenador-executivo da Defesa Civil baiana, Salvador Brito. Emergência Até esta terça-feira (3),192 municípios baianos já haviam decretado situação de emergência por conta da estiagem; mais de 2,2 milhões de pessoas teriam sido afetadas. Ao todo, pelo menos 295 municípios do Nordeste declararam situação de emergência. ?Houve um agravamento nos últimos dias, já que não registramos chuva. O número de cidades em emergência está aumentando diariamente. A situação vai piorando a cada dia que passa. Estamos, sem dúvida, nos encaminhando para a maior estiagem dos últimos 20 anos?, disse Salvador Brito. Situação similar é vivida no Piauí, onde a estiagem já é considerada a maior dos últimos 15 anos. Dados da Defesa Civil Estadual apontavam para 75 municípios em situação emergência até esta terça. ?Nós estamos vivendo aqui a maior seca dos últimos tempos. No mesmo período do ano passado, somente dois Estados haviam decretado emergência por estiagem. Estamos solicitando ao Ministério da Integração Nacional, de imediato, mais carros-pipa e cestas básicas. A situação é de preocupação inclusive da sustentabilidade da vida humana. Nós estamos finalizando um plano de emergência, para perfuração de poços, construção de barragens e de cisternas a longo prazo?, afirmou o diretor da unidade de Defesa Civil do Piauí, Jerry Herbert. Em outros Estados do Nordeste, segundo levantamento feito pelo UOL na última semana com as defesas civis estaduais e a nacional, existem mais 28 municípios em situação de emergência: 14 em Sergipe, 11 em Pernambuco e um em Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Fonte: UOL



