Existem várias leituras que podemos fazer a respeito da eleição de ACM Neto na capital baiana. É sempre bom lembrar que a população da capital é tradicionalmente de oposição ao Governo do Estado e já fazia isso na época de Antônio Carlos Magalhães, tendo como única exceção na época a eleição de Antônio Imbassahy.Outro lembrete é de que não está valendo mais aquela história de que o “time de Lula” elegeria até mesmo um poste que indicasse. Não é mais assim. Há quem diga que o ex presidente Lula tomou o assunto como pessoal ( já que não poderia deixar vencer o garoto que disse que iria dar uma surra nele) e por isso teria se empenhado ao máximo na campanha de Pellegrino. Ainda assim não deu.A vitória de ACM Neto em Salvadort também pode ser um reflexo das duas longas greves que abalaram o governo Wagner: A dos policiais e a dos professores. Agora fica o compromisso ( e saia justa ) de Dilma em ajudar ACM Neto para não incorrer nos mesmos erros de perseguição que denunciou existirem no tempo do carlismo. Aliás, sobre a volta do carlismo, não consideramos realmente factível.Isso porque, pelo que tem demonstrado ao se alinhar com Geddel ( que era oposição ao seu avô ) e pedir desculpas na televisão pela fase infeliz sobre a surra em Lula, ACM Neto não sinaliza neste sentido, ele parece ter percebido que os tempos são outros. Até porque os nomes fortes que sustentavam o carlismo estão hoje com Wagner, a exemplo de Otto Alencar e tantas outras lideranças no interior do estado.Com um grupo novo, desfalcado dos velhos carlistas que aderiram ao governo atual, ACM Neto pode despontar com um tipo inédito de fazer política na Bahia, onde ( vale lembrar ) a oposição domina agora as duas cidades mais importantes.
Léo Valente



