O engenheiro Pedro Oliveira, de 32 anos, nem gosta de imaginar a possibilidade de faltar farinha na sua mesa. Além da feijoada, do churrasco e da comida baiana, tradicionalmente degustados com o ingrediente, ele mistura a farinha até a pratos como lasanha, macarronada e comida chinesa. ?Combina com tudo. É ela que faz a argamassa para encher o tanque?, brinca.Para o administrador Daniel Souza, 33, a moqueca baiana não desce sem o produto derivado da mandioca. ?A moqueca é muito líquida e a farinha é o que faz ficar sólida, mastigável. Sem farinha eu não como?, garante.Por sua vez, a publicitária Luciana Moura, 27, é tão apaixonada por farinha que não divide a que compra com ninguém. ?Lá em casa, a minha farinha fica guardada à parte. Sem ela, eu pararia de comer feijão?, diz. ?A farinha é o que sustenta?.A rigorosa estiagem que os municípios produtores de farinha no interior do estado vivem já há dois anos não só ameaça a satisfação gastronômica de Pedro, Daniel e Luciana, por comprometer a oferta de mandioca, como tem jogado o preço da farinha para as alturas. Hoje, a saca do produto, que custava R$ 70 há um ano, chega a ser vendida por R$ 260. É o que garante a comerciante Terezinha Hora, que possui um quiosque na Ceasinha do Rio Vermelho.O quilo da farinha Copioba, produzida em Maragogipe e que já chegou a custar R$ 3,50 há cerca de oito meses, ontem já era vendido a R$ 8,50, um aumento de 142%. ?Antes, toda semana vinha um fornecedor aqui. Agora, a farinha está tão pouca que eles só vêm de 15 em 15 dias. E, quando vêm, chegam com pouco produto?, lamenta.(iBahia)



