Mais uma vez usei a Tribuna da Câmara de Vereadores para tratar do assunto “Hospital e Maternidade Luis Argolo”. Sei das dificuldades das Santas Casas Brasil afora, inclusive a nossa, que tem em sua história o patrimônio de ter sido o berço da maioria da nossa gente.
Faz tempo, ouvimos à boca pequena, que o nosso querido Luis Argôlo padece com a precariedade dos serviços, a falta de atendimentos especializados em alguns setores (a exemplo da Pediatria), o atraso dos salários dos servidores assim como o contumaz desrespeito às leis trabalhistas.
Compreendo as dificuldades em gerir um Hospital de médio porte, o curto orçamento e as dificuldades em firmar parcerias, sobretudo com organizações governamentais são os problemas mais emblemáticos, mas o Hospital Luis Argôlo parece ter feridas mais profundas e por isso incuráveis.
Esta Confraria não pode ser tratada como um Hospital Público, tampouco como um Particular, já que seu aspecto filantrópico o coloca equidistante entre esses dois pólos. Mas, então, o que se vê? Um Hospital que exige ser tratado como público e nos trata como fosse particular.
Esperava, depois da inauguração do Hospital Regional, o óbvio. Que o Luís Argôlo tivesse oxigênio para, mesmo no limbo, respirar. Com a demanda reduzida, limitaria ? se à especialidade materno ? pediátrica, inclusive com a promessa do Governo do Estado em inaugurar novos leitos para UTI neonatal. O Hospital sofreu um Break Up, uma partilha que mais parece uma fratura exposta. São tantas instituições privadas ocupando a área que outrora pertencera ao Hospital que, sem a planta original, não sabemos onde ele começa ou termina.
Há alguns anos fiz algumas denúncias graves sobre o Luis Argôlo, não sei se por isso, logo houve uma intervenção que resultou em uma auditoria que, ao que parece, nada apurou de irregular, ao menos nós, a sociedade, não fomos informados.
Não tenho o interesse em aumentar a crise e não vou aqui sugerir malversação. Mas constrange perceber que, ao menos, podíamos ter uma auditoria técnica e não uma intervenção política, que, com transparência saberíamos qual a verdadeira situação desta Instituição que fecha ? se n`um conclave fraterno e omite a todos a sua radiografia.
Tomei a iniciativa de convidar, via requerimento, o antigo e o atual provedor da Santa Casa para que eles possam detalhar a real situação. Até porque acredito na ressureição do Hospital e Maternidade Luis Argôlo, pois sei que juntos, governos, corpo médico e sociedade, podemos encontrar uma solução.
O que não dá é para pôr cheque em branco em caixa preta.
Uberdan Cardoso
Vereador ? PT



