Trabalhadores da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) denunciam a incapacidade de atuação e a falta de infraestrutura do órgão nos escritórios do interior do Estado. Em Santo Antônio de Jesus, os servidores revelam preocupação com a situação atual da EBDA, onde falta desde material básico de escritório e higiene ao combustível e até cafezinho. Por conta disso, o atendimento aos pequenos agricultores familiares da região está comprometido. A emissão da Declaração de Aptidão (DAP), documento que qualifica o pequeno agricultor como produtor familiar, por exemplo, não pode ser emitida por falta de papel.
A falta de estrutura do escritório da EBDA de Santo Antônio de Jesus foi pauta de discussão da Câmara Municipal de Santo antônio de Jesus. Segundo o presidente do Legislativo, o vereador Marcos de Araújo Lessa (PP), a Câmara vai marcar audiência com o secretário de agricultura do Estado, Eduardo Salles, para tratar do assunto, na semana que vem. Uma moção de úserá apresentada na próxima sessão da Câmara, na segfunda-feira (26). ?Vamos fazer uma moção de repúdio pela situação do escritório da Ebda e formar uma comissão para se reunir com o secretário de Agricultura?, garantiu.
No Recôncavo, a EBDA possui sete escritórios que atendem 32 municípios, incluindo o escritório regional localizado em Cruz das Almas. De acordo com o técnico em agropecuária, José Geraldo Lago de Carvalho, delegado do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Área Agrícola (Sintagri), que representa a categoria, a sede do escritório em Santo Antônio de Jesus está com três meses de aluguel atrasado e no de Amargosa o corte de água e energia é frequente por falta de pagamento das contas. ?A estrutura é precária. Os móveis são velhos e os equipamentos não têm manutenção e estão quebrados. Tivemos que paralisar algumas atividades, como a emissão de relatório final de programas e projetos e as visitas técnicas?, lamentou.
CARROS SEM GASOLINA PARA VISITAS TÉCNICAS
Baixos salários, sonegação de direitos trabalhistas, sucateamento da estrutura da empresa, péssimas condições de trabalho, descumprimento de acordos, são outros problemas do órgão. José Geraldo de Carvalho afirma que a situação atual é muito difícil para os trabalhadores. ?Falta até gasolina para utilização dos veículos e assim as visitas técnicas no campo não podem ser feitas, deixando os agricultores sem assistência. Muitas vezes os funcionários fazem os trabalhos em casa. Nos escritórios de Laje, Dom Macedo Costa, Amargosa e Nazaré a dificuldade é a mesma?, lamentou.
A assistente administrativa Maria das Graças Sales Santos, do escritório de Amargosa, confirma a situação. ?Falta todo tipo de material. Não temos telefone e nem internet. Usamos a internet de outro órgão. A água e a luz já estão em atraso?, afirmou a servidora. José Geraldo disse ainda que a frota de veículos do escritório Ebda está envelhecida, os escritórios regionais em péssimas condições e as estações experimentais de pesquisa abandonadas por falta de recursos. ?Estamos usando dinheiro do próprio bolso para manter os escritórios da EBDA funcionando?, garantiu. José Geraldo informou que o escritório de Laje está sem técnico há mais de um ano e 90% dos pequenos agricultores do Recôncavo estão sem assistência técnica.
Um engenheiro agrônomo do órgão, que preferiu não se identificar, lamentou que até o Programa Semeando, executado pela EBDA, está prejudicado. Segundo ele, para receber o milho o agricultor faz o cadastro e um boleto é emitido para pagamento. ?Como podemos imprimir o cadastro e emitir o boleto sem papel, impressora, computador? A empresa assumiu o compromisso e não dá estrutura para os escritórios executarem?, disse o agrônomo.
EBDA ADMITE PROBLEMAS
O diretor administrativo da EBDA, em Salvador, Thiago Figueira, que responde interinamente pela pasta, admite as dificuldades dos escritórios no interior. ?Chegamos hoje a esta situação, mas a EBDA era uma empresa desestruturada em 2007 e temos trabalhado por sua reestruturação. Os problemas são pontuais. De fato, nos últimos seis meses temos dificuldades para rodar a máquina no novo sistema. A dificuldade existe, mas não é permanente?, afirmou. Figueira diz que há mais de 200 mil agricultores que são assistidos pelo órgão em todo Estado.
Apesar das graves denúncias dos servidores sobre a falta de infraestrutura nos escritório do órgão no interior, o diretor administrativo interino, Thiago Figueira, por e-mail, afirmou que esta é a posição e resposta da EBDA. A autarquia é a principal empresa pública executora da assistência técnica e extensão rural do Estado. Sobre a falta de assistência aos pequenos agricultores, o diretor nega que os problemas estruturais dos escritórios atingiram o campo. ?As dificuldades não tem se refletido no campo. Apesar dos problemas, as ações têm sido desenvolvidas. O problema ocorre, mas não em todos os escritórios. Vamos fazer um levantamento apurado da situação?, assegurou Thiago Figueira.
Cristina Pita



