O engenheiro Joaquim Pimenta de Ávila, projetista da barragem da Samarco que se rompeu em Mariana (MG no fim do ano passado, disse, em depoimento à Polícia Federal obtido pelo jornal Folha de S.Paulo, ter alertado a mineradora, em 2014, sobre um ?princípio de ruptura? no reservatório, classificando a situação como ?severa?.
Segundo o texto, Ávila afirmou que a barragem ?necessitava de uma providência maior do que a Samarco estava tomando?. Procurada, a mineradora disse, em nota, que todas as ocorrências que surgiram durante a manutenção das barragens em 2014 foram tratadas.
Documentos pela continuidade do funcionamento das barragens de Germano foram produzidos por Ávila em 2006, 2008, 2009 e 2010 e para Santarém em 2006, 2008, 2009 e 2010, conforme documentos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). Ainda segundo os registros da fundação, em 2014, o laudo foi assinado por Paulo Goulart Gontijo.
O técnico, no entanto, solicitou obras de reparação de trincas e recomposição de canaletas que apresentavam problemas. A data do relatório é de 21 de agosto. No ano passado, o laudo teve outro técnico como responsável, Samuel Santana Paes Loures, que também atestou o funcionamento da estrutura, mas repetiu o pedido de Gontijo – ?drenagem superficial: desobstruir, reparar trinca e recompor as canaletas que apresentam problemas?.
Em nota divulgada neste sábado (16), a Samarco afirma que ?todas as ocorrências surgidas durante o processo de manutenção de barragens foram devidamente tratadas em 2014?. Além da represa de Fundão, que ruiu totalmente, a produção de minério de ferro pela empresa em Mariana envolvia ainda as barragens de Santarém, que teve colapso parcial, e Germano, que vem passando por reparos. O rompimento da barragem de Germano deixou 17 pessoas mortas em Mariana e outras duas desaparecidas.
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