Folião pipoca terá mais de 200 atrações sem corda em Salvador

A partir de desta quarta-feira, 3, o folião que não abre mão de curtir o carnaval da pipoca deverá encarar uma verdadeira maratona. Mais de 60 apresentações em trios sem cordas, patrocinadas pelo Governo do Estado,  estão programadas para desfilar nos circuitos Dodô (Barra-Ondina) e Osmar (Campo Grande).

Nomes como Ivete Sangalo, Bell Marques, Margareth Menezes, Armandinho, Saulo, Moraes Moreira, Baby do Brasil, Luiz Caldas e Carlinhos Brown vão animar quem gosta de aproveitar a festa gastando menos.

Para quem prefere estar longe da badalação dos grandes circuitos, o Pelourinho vai receber mais de 200 apresentações artísticas e manifestações culturais gratuitas, desta quarta até a próxima terça-feira, 9.

No Centro Histórico, haverá shows em homenagem aos 100 anos do samba, com a presença de Paulinho da Viola, Riachão, Nelson Rufino, Raimundo Sodré, Juliana Ribeiro, entre outros.

E não são só os amantes da  axé music e do samba poderão assistir às apresentações gratuitas. Ao todo 94 blocos das categorias afro, afoxé, samba, reggae e de índio terão seus desfiles 2016 patrocinados – integral ou parcialmente –  pelo projeto Ouro Negro, que incentiva agremiações carnavalescas de matriz africana.

Ao todo, os projetos – Carnaval Ouro Negro, Carnaval do Pelô e Carnaval Pipoca, somados com o carnaval de cidades do interior do estado – receberam investimentos da ordem de R$ 11 milhões. Juntos, eles vão mobilizar cerca de 10 mil artistas em mais de 360 shows e performances.

Democratização

Para os artistas que vão tocar para o folião pipoca, tocar sem cordas é uma forma de democratizar. Para Nelson Rufino, shows gratuitos durante a festa rememoram os antigos carnavais.

Para Aroldo Macedo, guitarrista da banda Armadinho, Dodô & Osmar, é gratificante ver que o exemplo deixado pelos dois pioneiros do Carnaval está tendo maior adesão pro parte de artistas baianos.

“No passado, as cordas eram sinônimo de segurança para quem podia arcar com o abadá. Hoje, não precisamos mais disso. Contamos com forte um esquema de segurança para a festa e não há mais necessidade de isolar. Sempre tocamos sem cordas e não presenciamos nenhuma briga no nosso trio”, afirmou.

Na opinião do especialista em economia do Carnaval e vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Paulo Miguez, a presença de mais trios sem corda reforça a dimensão histórica do trio elétrico: “É interessante que esses grandes artistas partam para um espaço sem hierarquias, retomando a essência da festa”.

(A Tarde)