Os desafios e as problemáticas encontrados por juÃzes, promotores, defensores públicos e demais servidores do poder Judiciário foram colocados em debate na noite de ontem, quarta-feira (30), como tema de um seminário realizado pela Faculdade de Ciências Empresariais â FACEMP.
 O auditório do Antoniuâs Imperial Hotel, em Santo Antônio de Jesus, ficou lotado, principalmente pelos estudantes do curso de Direito da faculdade, que discutiram os desafios do Judiciário brasileiro. Só no ano passado o Judiciário recebeu mais de 24 milhões de novos processos, que se juntaram aos 86 milhões já existentes, totalizando mais de 100 milhões.
 Como o poder judiciário se encontra perante as transformações da sociedade e de que forma procura responder aos desafios que lhe são submetidos foram amplamente debatidos pelos juÃzes Jacqueline Kruchewski e Gilvandro Cardoso, além do promotor Valdemar Ferraz. A uÃza Jacqueline Kruchewski informou que administra sozinha 27 mil processos e em torno de 60 mil réus
 Poucos servidores – Segundo ela, a justiça se encontra rodeada de desafios, entre elas a sua própria administração. âA falta de juÃzes para exercer sua função administrativa, e os milhões de processos são os principais desafios que enfrentamos. Um recurso ao Tribunal demora entre quatro e cinco anos. Os desafios devem ser vencidos não só pela Justiça, mas por todos. Administrar milhares de processos e pessoas é sobre-humanoâ, ressaltou a magistrada.
 Jaqueline Kruchewski afirmou durante o seminário que as pessoas estigmatizam a Justiça por ser lenta, mas não imaginam a problemática por trás de milhões de processos que se avolumam nas comarcas. âQuando se fala em Justiça, se pensa em juiz, mas a população desconhece a dimensão em e julgar tantos processos. Quando pegamos um processo com inúmeras páginas temos que ler, compreender e fazer um juÃzo de convencimento para depois julgar. Isso demora, não se faz em um dia. Além disso, há os recursos que retardam os processos. Além disso, as custas judiciais na Bahia são das mais caras do Brasilâ, avaliou.
 Sobrecarga de processos – Na opinião do juiz Gilvandro Cardoso, a maioria das pessoas credita a lentidão dos processos a uma má atuação dos juÃzes. âMas não é isso que ocorre. Muitos juÃzes se dividem em duas, três varas. Os problemas são antigos e há uma sobrecarga de trabalho para os magistradosâ, salientou. O promotor de Justiça, Valdemar Ferraz avaliou os desafios do Judiciário e, segundo ele, muitos problemas atingem o Judiciário. âA crise do sistema prisional abala o Judiciário. Muitos pensam que essa crise é do Judiciário, mas não é. Temos falta de presÃdios. Outro fator é que a falta de educação gera muitos conflitos, e que existe em todo mundo. Porém, existem paÃses onde os conflitos são resolvidos sem precisar da intervenção da Justiçaâ, destacou.
 A coordenadora do curso de Direito da Facemp, Mônica Carvalho, lembrou que a faculdade realizou o segundo vestibular de Direito com grande procura de estudantes de toda região. âTemos 100 vagas por ano. Realizamos nosso segundo vestibular e a procura pelo curso tem sido grande e tem atraÃdo estudantes de toda região. O inÃcio das aulas para os aprovados está marcada para a primeira semana de fevereiro do próximo anoâ, informou.
 Cristina Pita
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