Jovem que caiu de parapente no Rio será enterrada na quarta-feira

O enterro da nutricionista Priscila Boliveira, de 24 anos, que morreu domingo (25) durante um voo de parapente, em São Conrado, na Zona Sul do Rio, está marcado para quarta-feira (28), em Salvador. Priscila, irmã do ator Fabrício Boliveira, caiu de uma altura de cerca de 20 metros.O instrutor de voo Alan Figueiredo que acompanhava a jovem vai ser indiciado por homicídio culposo. Ele deve ser ouvido novamente na próxima sexta-feira (30).Para o presidente da Associação Brasileira de Voo Livre (ABVL), Marcelo Silveira de Almeida,  a legislação da atividade precisa mudar: ?Eu acho que tem muita coisa para a gente mudar nessa parte de legislação, mas isso é uma coisa a longo prazo, para agora fica difícil, mas acho que dá para melhorar muito essa parte dessa atividade?, disse o presidente da ABVL, ao terminar de prestar depoimento na 15ª DP (Gávea), onde o caso está sendo investigado.Em 2010, depois de acidentes ocorridos no Rio, o Ministério Público Federal pediu que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fiscalizasse a atividade. Mas a Anac alega que, como parapente e asa delta não são certificados pela agência, ela não tem obrigação de fiscalizar.

DefasagemPara Marcelo, os regulamentos da Anac estão defasados. ?Ela cria os regulamentos, a gente procura seguir, só que os regulamentos estão defasados, têm algumas falhas. Está para mudar os RBHAs (Regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica), a Anac está passando por uma mudança. Deve sair agora um RBHA que vai ser para o voo livre, estamos aguardando?, disse ele, sem comentar quais seriam os tipos de falhas.O presidente da ABVL foi categórico ao comentar as fotos da jovem antes do salto. ?Parece que houve uma quebra de sequência, a primeira decolagem foi abortada, na segunda decolagem as travas aparecem soltas, foi o que a gente pode ver. Na primeira, estava tudo conectado, na segunda estavam abertas, na foto?, afirmou.Ele explicou que existem três travas, duas para as pernas e uma no peitoral. Segundo o presidente da ABVL, a própria associação, junto com o Clube São Conrado de Voo Livre, vai fazer a vistoria do equipamento.?Só é permitido voo em caráter de instrução, de acordo com as normas. Outro tipo de voo não é permitido?, afirmou , explicando que a Anac tem um Regulamento Brasileiro de Homologação Aeronáutica (RBHA) que é feito para esse objetivo.O presidente da AVBL alegou ainda que considera já uma instrução os ensinamentos que Priscila ouviu antes do salto. ?Aquele passo a passo da decolagem, aquela corrida, de não sentar, de fazer todo o procedimento já faz parte de uma instrução?, disse Marcelo.O presidente do Clube São Conrado de Voo Livre, Carlos Trota, que também prestou depoimento nesta segunda, disse que o clube ?está triste? e que foi aberta uma sindicância para apurar os fatos.

Travas soltas O delegado disse que a decisão pelo indiciamento do instrutor partiu da análise das imagens, que mostravam as travas de segurança soltas. ?Pelas imagens, percebe-se que a trava de segurança estava aberta. Mostrei para um instrutor e pessoas experientes e eles perceberam isso. Ele vai responder por homicídio culposo por negligência. A culpa foi dele que não travou a trava de segurança?, explicou o delegado. Homicídio culposo é aquele em que não há intenção de matar.O delegado explicou ainda que o instrutor de voo é aguardado para prestar novos esclarecimentos à polícia até sexta-feira (30), quando será indiciado formalmente. De acordo com Fábio Barucke, o advogado Marco Aurélio Gomes Araújo, que defende o instrutor, alegou que seu cliente está em estado de choque após o acidente.A ABVL informou na delegacia que o instrutor era habilitado. Segundo o delegado, os diretores da ABVL e do clube afirmaram ainda que os equipamentos estavam em dia. “Vamos aguardar o laudo para ter certeza se o material estava em bom estado”, explicou Fábio Barucke.O instrutor prestou depoimento na noite de domingo. Segundo o delegado, ele contou que tentou segurar Priscila com as pernas quando percebeu que ela estava caindo e que ela tinha se soltado da fivela de segurança. A vítima, de acordo com o depoimento do instrutor, caiu durante tentativa de aterrissagem. (G1)