Produtores de guaraná conhecem novas tecnologias sobre plantio no Amazonas

Um grupo de 11 pessoas, entre produtores, cooperativas, indústrias, técnicos do Território do Baixo Sul e representantes de instituições, estão no Amazonas participando de uma missão técnica iniciada no dia 26 de agosto e que vai até 1° de setembro. O objetivo é conhecer novas formas de manejo do guaraná e verificar in loco a sua capacidade de produção, através do contato com Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Empraba), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM) e Secretaria Municipal de Agricultura, além de produtores e associações do Amazonas.Representantes do Sebrae, Projeto Onça, Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STTR) de Taperoá, Cooperativa de Fomento Agrícola de Valença Ltda. (Coofava), Frutyba (fabricante de produtos derivados do guaraná, de Ituberá), Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Econômico (Semade) de Taperoá, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) do município, Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri) apoiam e participam da missão, que foi uma iniciativa da Câmara Setorial do Guaraná da Bahia.O Presidente da EBDA, Elionaldo Teles, conta que a partir da visita à Ambev, que faz parte da programação da missão e foi realizada nesta segunda-feira, dia 27, foi possível perceber um trabalho de pesquisa mais aprofundado e todo processo de produção do guaraná e isso também justifica a garantia de mercado que eles têm. ?Temos condições de estimular a expansão da produção na Bahia, mais precisamente no Baixo Sul, que tem o nosso apoio e já desenvolve um trabalho estruturado?, afirma Teles.Segundo o gestor do projeto Sebrae no Território da Cidadania do Baixo Sul e representante da Institução na Câmara Setorial, José Amândio Barbosa, a Câmara identificou em seu planejamento estratégico a necessidade de um intercâmbio com o Estado do Amazonas a fim de trocar experiências e fortalecer a cultura do guaraná em níveis nacionais e internacionais, visitando os municípios de Maués, Itacoatiara e Urucurá. ?O guaraná é nativo da região amazônica, mas com o passar dos anos e após a introdução desse cultivo no estado, a Bahia vem ganhando destaque. A produção se adaptou bem ao clima e solo da região do Baixo Sul, mas as formas de cultivo são bem diferentes nos dois estados e é por isso, também, que esse intercâmbio é tão importante?, informa Barbosa.Enquanto na Bahia o manejo é feito através da agricultura familiar, no Amazonas é através do extrativismo, tendo mão de obra em sua maioria indígena. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2011 a Bahia registrou o dobro de produção do guaraná em comparação ao Amazonas, mesmo este sendo referência nacional. Segundo o presidente da Coofava, José Alves, essa diferença se dá por conta da incidência de pragas que, na Bahia, foi bem menor. ?Na Bahia, justamente por conta das melhores condições climáticas, temos menor manifestação de pragas, além de termos uma boa orientação da Ceplac nesse sentido. Com esse intercâmbio aqui no Amazonas, podemos verificar as etapas de beneficiamento e fazer essa troca de experiências?, conta Alves.Para o secretário executivo da Câmara Setorial do Guaraná, Gerval Teófilo, a partir dessa missão, podem-se afinar parcerias com indústrias, governo do estado entre outros. ?É um momento de interação, na busca de alta produtividade para o nosso produto?, afirma o secretário. A oportunidade da missão surgiu após a visita da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que esteve no território do Baixo Sul, em junho, para levantar o custo de produção do guaraná da Bahia.Marcos Soledade é proprietário de 40 hectares de guaraná e está na missão representando a sua marca Frutyba. Para ele, perceber a variedade do produto no Amazonas e os métodos utilizados na sua produção são alguns dos maiores benefícios. ?Precisamos de tecnologia, e aqui estou tirando dúvidas e questionando agrônomos sobre esse processo. Já vi bastante coisa interessante e espero aumentar minha produtividade levando o modelo daqui para a minha região?, finaliza Marcos.

Agência Sebrae