Pessoas que cumpriram pena no Sistema Penitenciário reclamam de preconceito

De acordo com o Ministério da Justiça, o Brasil possuía até julho de 2012, 549.577 pessoas detidas no Sistema Penitenciário (penitenciárias e delegacias). O corresponde a 288 presos por 100 mil habitantes, sendo que 70% das pessoas que passam pelo sistema estão na condição reincidente.

Alexandre Ferreira Rocha, doutor em Segurança Pública e especialista em superlotação carcerária, afirma ?É um sistema altamente ineficiente? e observa ?Temos uma política muito punitiva. É um sistema que tem que passar por ajustes imediatos? ao referir-se sobre o Sistema Penitenciário. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, declarou a impressa ?Do fundo do meu coração, se fosse para cumprir muitos anos em alguma prisão nossa, eu preferia morrer?, destacando a situação crítica do problema.

Decorrente destes fatos as pessoas que já foram detidas sofrem um forte preconceito, em especial quando tentam se reinserir no mercado de trabalho. Viviane Cristina de Oliveira, de 37 anos, desejou não ter acesso ao regime semi-aberto, com receio de não encontrar um emprego que lhe garantisse condição de sustentar sua família, pois fazendo parte da oficina de costura do presídio a mesma se profissionaliza atende a suas necessidades econômicas. A preocupação de Viviane é compartilhada por muitos outros que se encontram na mesma situação que ela.

Na tentativa de resolver a questão algumas cidades criaram leis que obrigam as empresas a possuir entre seus contratados, pessoas que já passaram pelo sistema penitenciário. No entanto o preconceito continua sendo o maior problema. A ONG Tem Quem Queira realiza a contratação de pessoas que enfrentam esse preconceito. Adriana Gryner, coordenadora da ONG, enfatiza que ?Eles só precisam de uma oportunidade. Nós, empresários, podemos dar essa oportunidade. A resposta que a gente tem [desses funcionários] é muito boa. A gente tem um índice de praticamente 100% de reinserção socioeconômica. Todas as pessoas que passaram por aqui levam suas vidas de uma maneira integrada [à sociedade], não segregada?.

?Esse é um tema que ficava escondido, até por não haver uma cobrança da sociedade sobre a classe política. A sociedade enxerga o preso como alguém que deve ficar contido, e não como alguém que cumpre pena e vai voltar ao convívio social? observou Taís Ferraz, juíza e integrante do Conselho Nacional do Ministério Público.

Repórter: Lauro Araújo

RBR NOTÍCIAS / FM VALE