A Filarmônica Carlos Gomes, de Santo Antônio de Jesus (a 185 km de Salvador), colocou em prática um projeto que beneficia crianças e jovens de baixa renda oriundos de escolas públicas do município. O projeto Adote um aluno de música, iniciado no ano passado, oferece este ano, na segunda etapa, oficinas de canto, violão, bateria, teclado, sopro e filarmônica com o objetivo de beneficiar 140 alunos, distribuídos entre os seis cursos. No ano passado, foram inscritos 105 jovens. No dia 7 de outubro começam as oficinas. As inscrições já estão abertas e seguem até a próxima terça-feira (1º).
De acordo com Carlos Reis Agnes, presidente da filarmônica, a continuidade do projeto só foi possível por conta da parceria firmada entre a filarmônica e uma empresa da cidade que resolveu patrocinar os jovens. “As 140 vagas oferecidas serão todas custeadas pela empresa Natulab durante um ano. É como se a empresa tivesse adotado os alunos, pois todos são carentes”, explicou Carlos Reis Agnes. “A inclusão desses jovens serve para que possamos descobrir seus talentos na área da música. Na filarmônica, que tem 17 integrantes, cinco foram alunos das oficinas”, disse o presidente da filarmônica, que vislumbra descobrir novos talentos. Segundo Carlos Reis, as oficinas acontecem em dois turnos. O estudante participa no turno oposto ao que frequenta a escola. “Nas oficinas, eles aprendem a teoria e a prática. Os instrumentos usados pertencem à filarmônica. Eles têm uma hora de aula, de segunda a sábado, e os pais têm demonstrado grande interesse e procuram as oficinas”, disse.
Violão e bateria – As oficinas mais procuradas são as de violão e bateria. O professor Marcus Vinícius Macedo ministra aulas de sopro. Segundo ele, a música contribui para a mudança do comportamento dos jovens. “Muitos melhoraram o relacionamento na família. A música ajuda na inserção social também, e um dos objetivos do projeto é que os alunos tenham bom desempenho na escola”, salientou. Cláudio Sapucaia ensina música. Segundo ele, o repertório é escolhido pelos alunos. “Eu ensino a parte teórica e a prática, mas o que eles vão tocar é escolha deles: música orquestrada, lírica ou MPB. Tenho muitos alunos que saíram do projeto tocando muito bem e sabendo sobre música. Muitos tocam até em suas igrejas”, relatou. A adolescente Débora Silva Nascimento, de 15 anos, participou no ano passado da oficina de violão e vai continuar no projeto, além de estudar, como monitora. “Aprendi a tocar, mas amo música e não vou me afastar do projeto. Quero, quem sabe no futuro, montar uma banda de música”, revelou.
Empresários podem ajudar com doações de R$ 50 por mês – Por meio do projeto Adote um aluno de música, qualquer empresa que quiser contribuir pode pagar R$ 50 durante seis meses para manter um aluno estudando nas oficinas. O valor cobre as despesas do aluno com a oficina que ele escolher, além da partitura e da camisa. Conforme Reis, o projeto conta com o apoio da iniciativa privada, por meio da ação de empresários da cidade, que poderão ajudar muitos jovens a ingressarem na música. ?Muitos querem estudar música, mas os pais não podem pagar uma aula particular de violão ou teclado, por exemplo. O projeto vem facilitar o ingresso da criança ou adolescente na música. É a inclusão social através da música?, salientou. O presidente da filarmônica disse que é preciso levar o boletim da escola como comprovante de que o jovem é estudante de escola pública. Durante o curso, os boletins são verificados.
A filarmônica – A Filarmônica Carlos Gomes foi fundada em 1919. Em 2007, passou por uma ampla reforma e retomou suas atividades de ensino de instrumentos em 2010. Beneficiada pelo projeto Renascendo para a Música, do governo do estado, a filarmônica adquiriu novos instrumentos e apoio do setor público.
Cristina Pita, repórter A TARDE/ Colaboradora do Blog do Valente



