Na primeira manifestação pública desde o início da polêmica sobre a publicação de biografias não autorizadas, o cantor e compositor Caetano Veloso, em sua coluna na edição deste domingo (13/10) do jornal “O Globo”, afirma que a imprensa trata o tema de modo “despropositado” e defende a posição dos artistas que lutam pela exigência de autorização prévia para a comercialização dos livros.
“Censor, eu? Nem morta!”, escreve Caetano, para quem “no cabo de guerra entre a liberdade de expressão e o direito à privacidade, muito cuidado é pouco”.
Caetano diz ser a favor de biografias não autorizadas de figuras como José Sarney ou Roberto Marinho. Mas cita “o sofrimento de Gloria Perez” e o “perigo de proliferação de escândalos” como justificativas para uma atenção maior ao direito de privacidade.
Guilherme de Pádua, assassino de Daniela Perez, filha de Gloria, escreveu um livro enquanto estava na cadeia chamado “A História Que o Brasil Desconhece”. Ela recorreu à Justiça para impedir a circulação.
Caetano defende uma espécie de caminho do meio e chega a citar uma fala sua de 2007 na qual se coloca claramente contra a exigência de autorização prévia por parte de biografados.
“Tenho dito a meus amigos que os autores de biografias não podem ser desrespeitados em seus direitos de informar e enriquecer a imagem que podemos ter da nossa sociedade. Pesquisam, trabalham e ganham bem menos do que nós (mas não nos esqueçamos das possibilidades do audiovisual)”, escreve.



