Um morador do bairro de Nazaré, emSalvador, quer doar o próprio corpo após sua morte para a realização de estudos no Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Romário Machado, de 45 anos, conta que tomou decisão com o objetivo de aprimorar as pesquisas dos estudantes e também por ter ?pavor? de ser enterrado.
“Quero doar por uma série de motivos. O principal deles é porque quero ajudar a estudar as doenças, porque isso é uma coisa boa. O segundo motivo é que eu tenho pavor de ser enterrado e odeio velório, onde só tem falsidade e hipocrisia”, critica.
Ao G1, a Sociedade Brasileira de Anatomia informou que o velório não impede a doação, que pode ser feita após a realização da cerimônia. A associação acrescenta que, como as doações são feitas junto às universidades, não há como contabilizar o número de processos na Bahia.
Romário está aposentado e afirma que já fez a solicitação junto à UFBA e que, mesmo bem de saúde, tem pressa para oficializar o pedido. ?Entrei no site da UFBA, preenchi um formulário para doação e entrei em contato telefônico. Como a gente não sabe o dia que ia morrer, fico preocupado e quero que isso se resolva logo?, confessa.
Em entrevista ao G1, Adelmir Machado, diretor do Instituto de Ciência da Saúde da UFBA, informou que o pedido do morador já chegou à universidade, que por sua vez encaminhou ?Termo de Intenção de Doação? para o aposentado.
?Ele fez uma solicitação para o departamento e já obteve a resposta para que preencha o modelo de termo de intenção. Depois, o departamento vai fazer a análise desse termo. Estamos à disposição para dar todas as informações que ele deseja?, conta o diretor, que acrescenta também que o morador terá que registrar o documento em cartório.
?Não é um processo demorado. Em casos em que o doador ainda está vivo, isso é avaliado rapidamente pelo departamento e, dentro de duas semanas, pode estar resolvido”, completa Machado.
Romário admite que a decisão dele é ?incomum?, mas está tranqüilo, já que tem todo apoio da família. “Não quero ninguém chorando no meu enterro. A minha família concorda com isso porque eu ensinei a eles o que é respeito. Eles entendem que quando a morte vem não tem jeito”, diz.
?Atitudes como a dele não são muito comuns. Imagine que, se doação de órgão é difícil, a doação de um corpo inteiro é mais ainda?, opina o diretor do diretor do Instituto de Ciência da Saúde da UFBA, Adelmir Machado. (G1)



