Lula quer afago ao PMDB antes de votar ajuste fiscal

A presidente Dilma Rousseff diverge de seu padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, em relação à receita para enfrentar a crise política que devasta o governo. Dilma avalia que, sem a aprovação do ajuste fiscal pelo Congresso, não há como sair da zona de turbulência, mas Lula tem outro diagnóstico e defende a remontagem da equipe para evitar que o casamento com o PMDB chegue a um ?beco sem saída?. Em recente reunião com deputados e dirigentes do PT, Lula não escondeu sua preocupação. ?Esse Ministério, do jeito que está, não dura um ano?, disse o ex-presidente, em conversa reservada. O ministro da Educação, Cid Gomes (PROS), caiu no dia seguinte, após ruidoso bate-boca com deputados no Congresso ? o fato tomou as manchetes dos jornais no dia seguinte, sobrepondo-se à agenda que o governo queria imprimir ao anunciar seu pacote de combate à corrupção. Na briga para ver quem ?larga o osso?, expressão usada por Cid, o PMDB quer agora se descolar do desgaste reinante em menos de 90 dias do segundo mandato de Dilma. Com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), citados na lista de suspeitos no escândalo de corrupção da Petrobrás, a cúpula do partido adotou nova estratégia e vai sintonizar o discurso com as manifestações de 15 de março. A tática, agora, consiste em cobrar do governo a redução do número de ministérios, de 39 para 20.

Fonte: Política livre