O favorecimento dos políticos nos hospitais públicos estaduais é um problema recorrente em todo o território nacional. De acordo com o assessor de Regulação da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), Paulo de Tarso Monteiro Abrahão, o dono do leito, que deveria ser a população, acaba sendo o médico ou o político. “Isso acontece no Brasil inteiro. O dono do leito não é a Saúde. O dono do leito é o médico, mas ele deveria ser da população. No Hospital Aristides Maltez, por exemplo, que há vários leitos, nós [Sesab] apenas regulamos oito deles”, declarou ele, em entrevista à Rádio Metrópole, no Jornal da Bahia no Ar.
“Imagina a quantidade de pacientes com câncer neste estado que eu não consigo colocar no Aristides, enquanto Regulação, porque eu só regulo oito daqueles leitos”, disse ele. A declaração foi feita após a denúncia de um ouvinte anônimo que trabalha no Hospital Roberto Santos. De acordo com ele, os funcionário são obrigados a reservar leitos para deputados e outros políticos. “Logo, a Regulação se torna uma balela”, afirmou o ouvinte.
Ainda segundo Paulo, que já ocupou cargos no Ministério da Saúde, a afirmação de que” a Regulação não funciona” é verídica. “Eu ouço vocês falando da Regulação, dizendo que ela não funciona. Não funciona mesmo. Eu, gestor, não dou para a Central de Regulação operacionalizar o que tem de demanda”, afirmou.



