Guardar dinheiro é um desafio para muita gente: apenas um em cada três brasileiros possuem algum tipo de reserva. Enquanto isso, os últimos dados, divulgados em maio, apontam que cerca de 60% das famílias estavam endividadas em abril. Juntos, esses dois cenários são propícios para deixar qualquer um com dor de cabeça. O Brasil está passando por dificuldades na economia, com crescimento do desemprego, inflação e juros altos. Dívidas e falta de poupança neste momento exigem inteligência para não ficar no vermelho.
Todos os meses, sobram para a diarista Ana Maria Coelho cerca de R$ 1.300. Era com essa quantia que ela sempre pagava o cartão de crédito, até se enrolar.
? Eu tinha muitas parcelas. Tudo era parcelado, roupa, remédio, presentes. Chegou um dia que comecei a pagar o mínimo do cartão e depois disso nunca mais consegui me livrar da dívida.
Ana Maria admite que sempre soube da importância de guardar dinheiro, mas preferia usar o que sobrava para o consumo da família. Agora, pagando uma dívida que tem mais de R$ 1.000 só de juros, ela se queixa.
? [O cartão] faz uma falta danada. Parece que estou proibida de comprar. Mas acho que no fundo eu tinha que passar por isso. Nunca mais vou me enrolar tanto quando puder usar o cartão de novo.
O grande medo de Ana Maria sempre foi ficar com o nome sujo, algo que tem aumentado nos últimos meses no Brasil. Segundo o SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), entre março e abril, a inadimplência cresceu 3,39% no País: 535 mil pessoas passaram a ter restrições para obter financiamento. O Banco Central registrou 4,6%.
A Serasa registrou aumento de 2,26% de cheques sem fundos em abril. A consultoria afirmou que esse foi o pior índice registrado no mês desde 1991 (início da série histórica). No mesmo mês, quase 60% das famílias brasileiras estavam endividas, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio).
Os próximos dois anos devem ser difíceis na economia e isso afeta toda a sociedade. Pessoas com menor renda são as mais vulneráveis, segundo o professor Sérgio Almeida, da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo). Ele diz que o momento exige diminuir o consumo e pensar em guardar dinheiro.
? O comportamento mais adequado para minimizar os problemas que você pode ter com a crise é não comprar nada a prazo e cortar gastos. Aí tem que ver quanto entra de renda e quais são os gastos. O pagamento de dívidas do passado tem que ser honrado. E aí tem que cortar despesas que não são essenciais. O ideal é que guarde pelo menos uma parte do dinheiro que sobra. (r7)


