O prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), disse nesta terça-feira, 25, não temer as constantes visitas do governador Rui Costa (PT) aos bairros de Salvador por “trabalhar muito mais” do que o governo e lembrou que as ações em 98 encostas anunciadas agora pelo petista foram prometidas ainda no governo Wagner.
“Ainda na época de João Henrique e Jaques Wagner, o governo do estado assumiu 98 encostas. Eu não era o prefeito na época em que a prefeitura delegou ao governo fazer essas obras, nem Rui Costa era o governador. Em tese, essas obras deveriam ter acontecido lá atrás e não aconteceram”, afirmou o prefeito ao A TARDE, ao comentar o pacote de intervenções estaduais, com R$ 156 milhões previstos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Autorização
Em 19 de maio de 2014, conforme noticiado em A TARDE, o então governador Jaques Wagner (PT) autorizou o serviço de contenção de 98 encostas, ao mesmo custo de R$ 156 milhões, oriundos do PAC.
No entanto, em dezembro de 2012, a Casa Civil do governo do estado – à época comandada por Rui – já havia anunciado que a Bahia receberia R$ 696,4 milhões do PAC, dos quais R$ 156 milhões seriam para a contenção de encostas.
Após as mortes causadas nos deslizamentos de terra do começo deste ano, a oposição a Neto criticou a falta de ação da prefeitura nas encostas e, recentemente, iniciou uma série de visitas semanais aos bairros para anunciar ou inaugurar obras.
Sempre acompanhado por uma extensa comitiva de aliados – alguns deles pré-candidatos a prefeito -, Rui tem autorizado as intervenções, mas também caminhado pelos bairros, conversando com os moradores e prometendo obras complementares.
Foi chamado até de “goverfeito” – mistura de governador com prefeito.
Aliados do prefeito não gostaram do movimento do governador e reagiram com críticas ao petista.
“Perdendo o sono”
O fato é que a “guerra das encostas” ainda promete. Nesta terça, ACM Neto, acompanhado de gestores de diversas pastas municipais, vistoriou uma obra da prefeitura na Rua Pirangi, localizada no Alto do Saldanha, em Brotas. Na semana que vem, Rui Costa já tem dois compromissos agendados.
Apesar de Rui negar qualquer fim eleitoral com a iniciativa, o tom de disputa pela prefeitura em 2016 tem ficado evidente nos discursos dos aliados que o acompanham. Na segunda, 24, no Lobato, o vereador Lessa (PT) disse que “muita gente estava perdendo o sono” com a presença constante de Rui na periferia.
O prefeito rebateu. “Não sei de quem (tirar o sono). Se eu não trabalhasse muito mais do que eles, estaria preocupado. Mas como eu trabalho muito mais do que eles, não estou nem um pouco”, declarou Neto.
O prefeito voltou a dizer que, após as chuvas deste ano, nenhum valor foi liberado pelo governo federal.
“Do compromisso desse ano, não saiu nada. Zero”, afirmou o democrata. Segundo ele, não houve propriamente garantia de um valor a ser repassado.
“Prometeram fazer 11 projetos pelo Ministério da Integração e 44 pelo Ministério das Cidades, fora as casas, que ficaram de nos dar até cinco mil”, declarou Neto. Em maio deste ano, após reunião entre Rui e Neto, ficou definido que a prefeitura e o governo do estado mapeariam 200 encostas com maior risco de deslizamento para pedir à União cerca de R$ 400 milhões.
De acordo com o prefeito, a sua gestão herdou 38 obras de encostas da administração de JH. “A prefeitura está aguardando desde o ano passado o Ministério da Integração liberar 18 encostas. Eram projetos que foram feitos de forma equivocada pela gestão de João Henrique e eu ajustei. Devolvi o dinheiro que foi aplicado equivocadamente no passado e, até hoje, nós não conseguimos a liberação do ministério”, declarou. O ex-prefeito não atendeu às ligações da reportagem.
Das outras 20 obras em encostas (essas em convênio com o Ministério das Cidades), 12 foram entregues ou estão sendo feitas, segundo o prefeito. “As oito restantes, estamos apenas aguardando a liberação da Caixa Econômica para iniciar as obras”, declarou. (A Tarde)



