Com a voz calma, olhar firme e expressão serena, o cabeleireiro e fotógrafo Rafael Pinheiro de Jesus, 28 anos, contou ontem, em detalhes, ao CORREIO sua versão sobre como se livrou do corpo do pequeno Marcos Vinícius de Carvalho dos Santos, 2 anos.Durante entrevista na sede da Polícia Civil, na Piedade, ele disse que, depois de o garoto engasgar com mingau e morrer, ele colocou o corpo do menino em um cooler (recipiente para manter bebidas geladas) e o abandonou no areal, em Itapuã, onde foi localizado na quarta-feira.
Por quê?(Silêncio)
A polícia diz que sua mãe induziu a investigação ao erro. Ela foi sua cúmplice?Agi sozinho e minha mãe não sabia de nada. Quem confirmou a história (para a polícia) não foi minha mãe, foi o rapaz do posto (de gasolina), mas ele desmentiu depois.
Por que você resolveu criar Marcos Vinicius?Peguei ele porque a mãe dele não tinha condições de criar. Ela chegou a dormir no fundo da minha casa, então, eu não podia deixar ele passar isso com ela.
Como era a sua relação com ele? Vocês saíam?Eu trabalho em casa, por isso é mais fácil cuidar dele. A gente ia na praia, praça, passear. Eu gostava dele.
Você trabalha com o quê?Sou cabeleireiro e fotógrafo.
Você é usuário de drogas?Sou.
Usou drogas no dia do crime?Não.
Você disse no depoimento que foi um acidente, mas a polícia não descarta crime doloso.O laudo vai confirmar.
Confirmar o quê?Que foi o sufocamento através de mingau.
Você e Marcos Vinicius moravam sozinhos. A mãe do menino visitava vocês?Não. Ela não ligava pra ele. Não cuidava dele. Ela não tinha amor por ele.
Está arrependido?Sim.
As pessoas estão revoltadas. O que você acha da reação da sociedade?É justa.
Está preocupado com o que pode acontecer com você na prisão?Não quero pensar nisso.


