Os amigos Wilson Neto dos Santos, 23 anos, Gabriel Alves dos Santos, 22 anos e Diego Paranhos Guimarães, 26 anos, que morreram afogados no último sábado (19) na praia do Farol de Itapuã serão sepultados juntos na tardes de segunda-feira (21), no Cemitério Campo Santo, na Federação, às 16h30.
Moradores de Paripe, eles haviam se reunido com outros amigos para um churrasco na beira mar no dia do acidente. Os corpos do montador de som Wilson e do estudante Gabriel foram localizados no início da manhã de hoje. Diego já havia sido achado no final tarde deste domingo (20).
O corpo de Wilson apareceu na Praia da Bola, em Itapuã. Ele estava de casamento marcadopara o próximo e deixou a noiva grávida de três meses, que presenciou o acidente. Segundo a família, o casal estava feliz e aguardava empolgado pela união. Inconsolados, os pais de Wilson não tiveram condições de acompanhar o resgate.
Foi Wilson quem reuniu a turma para ir curtir a praia de Itapuã durante o final de semana. No feriado de Independência, ele tinha ido ao local e ficou fascinado pela praia. Segundo familiares, a mãe dele estava na praia, percebeu que o mar era agitado e demonstrou preocupação ao ver o filho em alto mar. “Ela disse que aquelas ondas não prestavam. Ficou desesperada quando ele entrou no mar e pediu para a noiva dele tirar ele de lá”, contou Gilson Moreira dos Santos, tio de Wilson.
No sábado, Wilson retornou ao local acompanhado da noiva e outros amigos. Entre eles Gabriel e Diego. Além dos três rapazes, um quarto amigo quase se afogou. Foi o estudante Nilson Weverton, 25, que ao ver os três colegas se afogando, também entrou no mar, ignorando a bandeira vermelha do Salvamar, que indicava perigo.
?Eu estava fora da água. Quando vi, eles já tinham caído no mar. Entrei também para tentar salvar alguém, mas não consegui?, relatou. Ainda segundo Nilson, que foi resgatado por salva-vidas, ?a distância de um para o outro estava muito curta e eles se afogaram rápido?. O corpo do melhor amigo de Wilson, Diego já havia sido achado ontem, próximo ao local em que o grupo se afogou. “Ele geralmente faziam festas em casa e essa foi a primeira vez que eles saíram juntos para essa praia. Não conheciam aqui direito”, disse o tio Gilson. A amizade entre Wilson e Diego era admirada pela família. “Eles eram como a tampa e a panela”, comentou Carlos Albertos, outro tio de Wilson.Gabriel também foi encontrado. O corpo dele estava nas proximidades do Atakarejo, em Piatã, e foi resgatado do mar por pescadores. A primeira pessoa a avistar Gabriel foi o pescador e bombeiro aposentado Eginaldo dos Santos Muniz, 65 anos. Por volta das 6h30, ele avistou o Gabriel boiando próximo a arrebentação. “Liguei para os Bobeiros e Salvamar. Mas quando o corpo se aproximou da praia, pedi ajuda de outros pescadores para trazer ele”, comentou. Ainda de acordo com Eginaldo, é recorrente retirar banhistas se afogando naquela região. “A gente tá sempre atento, porque as pessoas se afogam com frequência”, diz. Gabriel era filho único e morava com a avó e a mãe. Segundo o tio Antonio Carlos Aquino, ele era muito apegado a família e aos amigos. “Só vão ficar as lembranças dos momentos felizes, do seu jeito de alegrar a gente e fazer piada”, lamentou.
Desrespeito à sinalização é uma das principais causas de acidentesPara que o dia de sol não se transforme em momento de angústia e agonia, o coordenador-geral do Salvamar João Moraes reforça alguns cuidados que o banhista precisa tomar antes de entrar na água.
?Assim que chegar à praia, é preciso buscar informações com a Salvamar, que vai indicar o local adequado para o banho. Quem for nadar, deve nadar também paralelo à praia e evitar ir para o fundo?, recomenda Moraes, que ressalta também a importância de respeitar a sinalização em que a presença da bandeira vermelha indica sinal de perigo para o banhista. ?Tome banho sempre sem passar na linha da cintura e evite o excesso de bebida alcoólica?, acrescenta.Este aviso foi ignorado, ontem, pelo serralheiro Abraão Oliveira, 20, quando entrou no mar da praia de Piatã, mesmo com a sinalização de alerta. ?Eu já conheço o mar. Não tenho medo. Eu tinha até visto a bandeira, mas não dou muita importância. Isso aí é mais para quem não sabe nadar. Já peguei até correnteza. ?Esta praia como tá hoje?? Pra mim é peixe pequeno?, brincou.
A postura de Abraão se repete no comportamento de outros banhistas, como afirma o salva-vidas do posto da Salvamar de Piatã, Pedro Henrique Falcão. ?O pessoal não respeita, invade mesmo. Só no domingo (13), eu fiz aqui 16 resgates?, contabilizou. Mas também tem gente como a auxiliar administrativa Cintia Cerqueira, 35, que com placa ou sem placa respeita a maré. ?Venho mais para resenhar e tomar sol?, diz. “Não tem nada que a faça ultrapassar o limite da bandeira: ?Só vou até a areia e pronto. Já está bom demais”. (Correio)


