Produtos modificados ganham espaço no mercado e confundem consumidores

ler o rótulo dos produtos para não se enganar e levar o similar

A corrosão do poder de compra provocada pela alta da inflação impulsionou o desenvolvimento de produtos de baixo custo, como os similares. Mas o que era para ser uma adaptação mercadológica, tem virado uma espécie de emboscada para o consumidor.

Com rótulos e formatos análogos aos originais, essas mercadorias ocupam os mesmos espaços nas prateleiras dos supermercados e induzem uma compra inconsciente. Uma contradição, todavia, é o preço estar no mesmo patamar.

A prática, que não é nova e nem sempre configura uma ilegalidade, tem crescido em meio à crise. Portanto, é necessário atenção a essas diferenças sutis e à conduta das marcas para decidir se quer ou não comprar um artigo similar e saber identificar quando denunciar.

Nas prateleiras dos supermercados diversos compostos lácteos à venda para substituir o leite em pó, o creme de leite ou condensado.
Outro exemplo é um processado cremoso com aparência de requeijão e uma base vegetal para assemelhar-se ao queijo.

O coordenador do Núcleo de Varejo e Supermercados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ulysses Reis, aponta dois fatores para o aumento dessa oferta.

Ulysses observa que os dois fatores ocorrem simultaneamente. “Mas, a partir de um certo momento, os consumidores começaram a ficar mais cuidadosos do que antes. O dinheiro diminuiu, as pessoas estão lendo mais o rótulo”, explana.

“Só que, no caso dos similares, é diferente, porque são produtos disfarçados e que podem até causar danos à saúde”, diz, observando haver ‘má-fé’ por parte de fabricantes que já entram no mercado com esse objetivo.

Além dos alimentos, exemplifica, também há materiais de limpeza e de higiene que misturam substâncias para deglutir a produtividade. “Por exemplo, coloca-se mais água e elementos que não deveriam estar. Na seção de higiene, tem o xampu que pode ter maior teor de sal”, aponta.

Dicas para não se enganar na hora da compra

Conforme o especialista, algumas dicas simples são valiosas para evitar cair nessa ‘pegadinha’. São elas:

  • Nunca faça compra com pressa. Se planeje para ir ao supermercado com tempo suficiente para pesquisar e avaliar os produtos;
  • Tenha o hábito de ler as embalagens, veja a composição, as letrinhas e compare com os demais;
  • Se for necessário no seu caso, lembre-se de levar os óculos para ler as letras pequenas e não deixar de fazer a checagem;
  • Planeje suas compras: faça uma lista do que precisa, mas também das marcas que você conhece. Quando você vir uma marca desconhecida, pesquise sobre ela.

Quando  prática é ilegal?

Os produtos similares são legalmente permitidos desde que esclareçam, no rótulo, qual fórmula utilizam. A questão é que essas informações constam nas letras miúdas da embalagem, além de as mercadorias serem expostas e confeccionadas por algumas marcas para gerar confusão.

A advogada do programa de Alimentação Saudável do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Mariana Gondo, explica serem necessários dispositivos legais para enquadrar as novas práticas do mercado, incluindo normas específicas de rotulagem e de exposição.

 “Trata-se de um fenômeno novo que vem crescendo bastante. Portanto, não existem regras específicas sobre como esses produtos devem ser expostos no varejo”, comenta.

Fonte: Diário do Nordeste

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