
No Dia Mundial da Tuberculose, celebrado nesta terça-feira (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou a necessidade de ampliar os esforços globais para eliminar a doença e expandir o acesso a novas tecnologias de diagnóstico rápido. Entre as inovações destacadas estão testes portáteis que podem ser realizados no próprio local de atendimento e swabs de língua capazes de identificar a bactéria de forma mais ágil.
De acordo com a entidade, os novos recursos representam um avanço importante para acelerar a detecção precoce e o início do tratamento de uma das doenças infecciosas mais letais do mundo.
“Esses testes portáteis e fáceis de usar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas normalmente buscam atendimento”.
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A OMS informou ainda que os exames possuem custo inferior à metade do valor de testes moleculares já disponíveis e podem contribuir para ampliar o acesso ao diagnóstico em diversos países. “os testes podem funcionar por meio de bateria e fornecem resultados em menos de uma hora, permitindo que os pacientes iniciem o tratamento mais cedo”, completou a nota.
Dados da organização apontam que mais de 3,3 mil pessoas morrem diariamente em decorrência da tuberculose no mundo, enquanto cerca de 29 mil novos casos são registrados a cada dia. Apesar dos avanços no combate à doença, a entidade alerta que a redução de recursos destinados à saúde global pode comprometer os resultados obtidos nas últimas décadas.
“Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000; no entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter esses avanços”.
Segundo a OMS, a implementação de tecnologias de diagnóstico rápido ainda enfrenta obstáculos, especialmente em países que dependem do envio de amostras para laboratórios centralizados, o que eleva custos e prolonga o tempo de resposta.
“A adoção de ferramentas de diagnóstico rápido tem sido um desafio em muitos países, em parte, devido aos altos custos e à dependência do transporte de amostras para viabilizar os testes em laboratórios centralizados”, destacou a entidade.
A organização avalia que a ampliação do acesso aos exames pode contribuir para reduzir atrasos no início do tratamento, limitar a transmissão da doença e ajudar no cumprimento das metas globais relacionadas à testagem e à identificação de resistência a medicamentos.
No Brasil, o Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025, do Ministério da Saúde, aponta que 84,3 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença em 2024, o que representa uma incidência de 39,7 casos a cada 100 mil habitantes. No mesmo período, foram registrados mais de 6 mil óbitos.
Os estados com maiores índices de incidência foram Amazonas, com 94,7 casos por 100 mil habitantes, Rio de Janeiro, com 75,3 por 100 mil, e Roraima, com 64,3 por 100 mil.
Já em relação à mortalidade, considerando dados consolidados de 2023, Amazonas apresentou taxa de 5,1 óbitos por 100 mil habitantes, seguido por Pernambuco, com 4,8, e Rio de Janeiro, com 4,6 por 100 mil.
A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, conhecida como bacilo de Koch. Embora afete principalmente os pulmões, a enfermidade também pode atingir outros órgãos e sistemas do corpo, sendo mais comum em pessoas que vivem com HIV na forma extrapulmonar.
A transmissão ocorre por via respiratória, por meio de partículas liberadas quando uma pessoa com tuberculose ativa tosse, fala ou espirra. Ao inalarem essas partículas, outras pessoas podem ser infectadas.
De acordo com o Ministério da Saúde, uma pessoa com tuberculose pulmonar ativa e sem tratamento pode transmitir a doença para, em média, de 10 a 15 pessoas ao longo de um ano.
Com o início do tratamento adequado, o risco de transmissão diminui gradualmente e, geralmente, após 15 dias, a possibilidade de contágio é significativamente reduzida.
“No entanto, o ideal é adotar medidas de controle de infecção até que o resultado da baciloscopia [exame para detectar a bactéria da tuberculose] se torne negativo – tais como cobrir a boca com o braço ou lenço ao tossir e manter o ambiente bem ventilado, com bastante luz natural.”
O bacilo de Koch é sensível à luz solar, e ambientes bem ventilados ajudam a reduzir a concentração de partículas infecciosas no ar.
“A ‘etiqueta da tosse’, ou seja, cobrir a boca com o antebraço ou lenço ao tossir, também é uma medida importante”, informa o Ministério da Saúde.
Entre os principais sintomas da tuberculose estão:
- tosse seca ou com catarro por três semanas ou mais;
- febre no período da tarde;
- suor noturno;
- perda de peso.
“Se uma pessoa apresentar sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final”, concluiu o ministério.




