
Um estudo realizado por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) aponta que as ondas de calor estiveram associadas a mais de 120 mil mortes no Brasil entre os anos de 2000 e 2019. O levantamento concluiu que os eventos de calor extremo foram responsáveis por cerca de 0,6% de todos os óbitos registrados no país durante o período analisado.
De acordo com os pesquisadores, os idosos representam o grupo mais vulnerável aos efeitos das altas temperaturas. Dos mais de 120 mil óbitos relacionados às ondas de calor, aproximadamente 97 mil ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais, o que corresponde a cerca de 80% do total.
A pesquisadora da Fiocruz e coautora do estudo, Beatriz Oliveira, explica que a exposição prolongada ao calor pode comprometer o funcionamento do organismo. “Quando a pessoa não consegue dissipar o calor que recebe ou produz internamente, os mecanismos de termorregulação ficam sobrecarregados e algumas funções do organismo são comprometidas, principalmente as cardiovasculares e respiratórias”, afirmou.
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Além da mortalidade, a pesquisa também avaliou internações registradas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em parte dos municípios estudados. Os resultados indicam que crianças também estão entre os grupos mais afetados, principalmente devido ao aumento dos casos de desidratação e de doenças gastrointestinais durante períodos de temperaturas elevadas.
Os pesquisadores identificaram ainda crescimento de problemas renais associados ao calor extremo. Segundo o estudo, fatores socioeconômicos também influenciam diretamente a vulnerabilidade da população. Pessoas com menor escolaridade apresentaram maior risco, situação que pode estar relacionada ao acesso mais limitado a ambientes climatizados e serviços de saúde.
Em relação à distribuição regional, os estados das regiões Norte e Centro-Oeste registraram maior frequência e duração das ondas de calor. Já o Sudeste e o Sul apresentaram episódios mais intensos, enquanto o Nordeste ficou em uma posição intermediária.
Entre as unidades da federação, o Amapá registrou a maior proporção de mortes associadas ao fenômeno, com 1,07% dos óbitos no período analisado. A Paraíba apresentou o menor percentual, de 0,30%.
Os autores do estudo defendem que o calor extremo seja tratado como uma questão prioritária de saúde pública. Entre as medidas sugeridas estão a ampliação dos sistemas de monitoramento climático, emissão de alertas à população, campanhas educativas e ações voltadas à proteção de trabalhadores expostos ao sol. Os pesquisadores também destacam a necessidade de novas análises para compreender os impactos das ondas de calor após 2019.




