Ronni Lessa receberia 10 milhões de dólares e dois loteamentos clandestinos para matar Marielle

Ronni Lessa assume ter matado a vereadora Marielle Franco para que ela “saísse do caminho”| Foto: reprodução/ TV Globo

Em delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), exibida em TV aberta neste domingo (26), o ex-policial militar Ronnie Lessa afirmou que os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão consideravam Marielle Franco como uma “pedra no caminho” para a expansão e negócios dos milicianos. Durante delação Lessa confessou ser o assassino de Marielle Franco e apontou os mandantes do homicídio.

Segundo Lessa, o objetivo era obter o título de propriedade para especulação imobiliária. O mandante desejava regularizar um condomínio na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, ignorando critérios de área de interesse social, afirmou o Correio.

“A Marielle foi colocada como uma pedra no caminho. Ela teria convocado algumas reuniões com várias lideranças comunitárias justamente para falar sobre esse assunto, para que não houvesse adesão a novos loteamentos da milícia. Então, foi isso que o Domingos Brazão passou para a gente, assim, de uma forma rápida: A Marielle vai atrapalhar e nós vamos seguir isso aí, para isso ela tem que sair do caminho”, afirmou o ex-policial militar.

Como pagamento, Ronnie receberia 10 milhões de dólares, o que na cotação atual seria 51.633.000 milhões de reais, além de parte dos loteamentos clandestinos.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra os irmãos Brazão pelos crimes de homicídio e organização criminosa, no dia 10 de maio deste ano. Um deles é o Chiquinho Brazão, deputado federal pelo Rio de Janeiro, já o outro é Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

Detido desde 2019, Ronnie Lessa é acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

Lessa afirmou, durante delação, que seria um dos donos e, segundo ele, o negócio poderia cerca de R$ 100 milhões.

“Ali teria a exploração de gatonet, de kombis, de venda de gás. A questão valiosa é depois, a manutenção da milícia, porque a manutenção da milícia vai trazer votos. Então, na verdade, eu não fui contratado para matar Marielle, como um assassino de aluguel, não. Eu fui chamado para uma sociedade”.

O chefe do Ministério Público solicitou, no dia 16 de maio, que a Justiça determinasse um valor indenizatório para os familiares de Marielle Franco e Anderson Gomes. A solicitação foi incorporada à denúncia sobre o assassinato.

 



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