
O ex-vice-presidente da República e atual senador Hamilton Mourão teceu elogios ao golpe de Estado de 1964, que culminou com a instauração da ditadura militar no Brasil. Em uma publicação no jornal Correio Braziliense nesta sexta-feira (31.mar.2023), data que marca 59 anos do ocorrido, Mourão se referiu ao regime autoritário como a “Revolução de 31 de março”.
“Somam-se ataques às Forças Armadas desfechados nesta semana em mais um aniversário da Revolução de 31 de março de 1964”, escreveu.
“De uma contingência engendrada pela história, que foi a intervenção no processo político em 31 de marco de 1964 para conter a subversão armada, a violação da soberania nacional, a anarquia institucional, a eclosão da guerra civil e o caos social, as Forças Armadas sustentaram, com o apoio da sociedade e a participação de algumas das melhores inteligências do país, um regime que empreendeu as maiores reformas de sua história.”
Para o senador, é “impossível” não encontrar indícios de que as “reformas” empreendidas no período “dinamizaram” a sociedade e “fortaleceram a democracia brasileira”. Segundo ele, o Brasil teve “pela 1ª vez” um regime instaurado “sem golpe de Estado”.
“A revolução que se iniciou por causa de um problema militar, a indisciplina e a subversão nos quartéis, terminou com a grande contribuição militar para a estabilidade política do país: a despolitização das Forças Armadas, a estruturação de sua doutrina de preparo e emprego e a profissionalização dos seus quadros”, disse.
Mourão afirmou ainda que as Forças Armadas são elementos “inevitáveis” da evolução política nacional. Para ele, um processo “a que não faltaram acidentes, tropeços e retrocessos”.
“O regime de 1964 não pode ser julgado pelo autoritarismo que caracterizou não apenas ele, mas boa parte da política brasileira do século 20. Deve sê-lo pelo legado”, afirmou.
Segundo Hamilton Mourão, os militares brasileiros conhecem “muito bem” o papel que tiveram nessa democracia: “pelas suas origens, pela sua formação e pela História”. “Quem parece não conhecer são os que, achando-se donos da história, querem dirigir o país com os olhos no retrovisor”, disse, referindo-se indiretamente ao governo do presidente Lula.
Hamilton Mourão, já havia se referido ao golpe de 1964 como uma “revolução democrática”. Em uma publicação em seu perfil no Twitter em 19 de abril de 2022, Dia do Exército, ele homenageou a data afirmando que o Exército Brasileiro possuía um histórico de vitórias, incluindo a “Revolução Democrática de 1964”. Além disso, em 31 de março, aniversário do golpe militar, o vice-presidente afirmou que a “nação salvou a si mesma”.
É importante destacar que a ditadura militar que se seguiu ao golpe durou 21 anos e foi marcada pelo desrespeito aos direitos humanos, políticos e individuais por parte do Estado brasileiro. Em 10 de dezembro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade divulgou um relatório responsabilizando 377 pessoas por crimes cometidos durante o período, incluindo tortura e assassinatos. O golpe completa 59 anos em 2023.




