Câncer de próstata: do preconceito à prevenção

Tido como o sexo forte e inabalável, até bem pouco tempo atrás, o homem era obrigado a se comportar como o provedor, único a cuidar da família e que, por isso, não adoecia jamais. Daí a aversão que muitos homens têm, ainda, das consultas médicas como rotina.

O problema é que esse comportamento, ao longo de décadas, levou muitos homens à morte por causa de doenças absolutamente curáveis e possível de serem prevenidas. É o caso do câncer de próstata, segundo mais comum entre o sexo masculino, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Câncer de próstata

A próstata é uma glândula localizada perto da bexiga. A doença ocorre quando as células da próstata começam a se multiplicar de forma desordenada. O perigo é que, no início, o câncer na região não apresenta sintomas.

A Sociedade Americana de Urologia recomenda que o exame de sangue para a dosagem do PSA – antígeno prostático específico – seja realizado, pelo menos, uma vez por ano, por homens a partir dos 50 anos. “Já para os que têm histórico familiar com a doença, a recomendação é que esse cuidado comece aos 45 anos”, alerta Gil Fonsêca, urologista do Hapvida Saúde.

Campanha de prevenção

Em 2014, o INCA registrou 68 mil novos casos de câncer de próstata no país. Ainda de acordo com o Instituto, até o fim de 2016, devem ser diagnosticados 61 mil novos casos no Brasil. Por ano, são, em média, 13 mil mortes, uma a cada 40 minutos.

Foi justamente em decorrência dessas estatísticas que nasceu a campanha ‘Novembro Azul’. A ideia do movimento é orientar a população masculina sobre o câncer de próstata e sobre os exames que o homem deve fazer. Além de focar na prevenção da doença, as ações que ocorrem este mês em todo o país pretendem ainda alertar o homem sobre a importância de cuidar da saúde como um todo.

O câncer de próstata tem cura e quanto mais cedo for diagnosticado, maiores as chances de sucesso no tratamento. “É preciso que os homens aumentem a frequência com que procuram o médico e realizem exames preventivos, em especial, aqueles que têm histórico familiar de câncer de próstata na família, que possuem uma alimentação inadequada, pratica pouca ou nenhuma atividade física e os que fazem uso de bebida alcoólica e cigarro”, diz o especialista.

É preciso falar sobre o assunto

Apesar do avanço da medicina, o urologista orienta que, nem sempre, somente o exame de PSA é suficiente para se obter o diagnóstico completo. Por isso, é importante também realizar o exame toque retal. E é neste ponto que entra um fator social relevante nos cuidados com a saúde do homem: o preconceito. A psicóloga Carla Cristini Oliveira, também do Hapvida Saúde, afirma: “O preconceito e os tabus têm diminuído, mas ainda são os principais motivos para a não realização do exame”, diz.

“O ponto de atenção é que, livre de preconceitos, atento à própria saúde e na prevenção de doenças como o câncer de próstata, o homem ganha muito mais em qualidade de vida, equilíbrio e longevidade”, completa.

*NM