Cocaína e remédios são detectados em tubarões nas Bahamas, revela estudo

Pesquisa inédita aponta contaminação química em espécies marinhas e acende alerta sobre impacto humano em áreas consideradas preservadas

tubarão
Estudo identifica presença de drogas ilícitas e medicamentos no organismo de três espécies na região de Eleuthera; pesquisadores alertam para impactos do turismo e urbanização Foto: Google

Cientistas identificaram a presença de cocaína, cafeína e medicamentos no organismo de tubarões nas Bahamas, revelando um novo nível de contaminação ambiental em ecossistemas marinhos. O estudo foi publicado na revista científica Environmental Pollution e analisou amostras coletadas na ilha de Eleuthera.

Esta é a primeira vez que esse tipo de substância é detectado em tubarões na região, considerada até então relativamente preservada.

A pesquisa monitorou cinco espécies, com detecção confirmada em tubarões como o tubarão-recifal-do-caribe, o tubarão-lixa e o tubarão-limão. Os exames identificaram, além da cocaína, substâncias como diclofenaco (anti-inflamatório), acetaminofeno (paracetamol) e cafeína.

Segundo os pesquisadores, o diclofenaco foi o composto mais frequente, especialmente em indivíduos da espécie tubarão-recifal-do-caribe.

A análise foi realizada por meio de espectrometria de massas, técnica que confirmou que os contaminantes estão presentes no ambiente e sendo absorvidos pelos animais — um indicativo de que esses compostos já circulam amplamente nos ecossistemas marinhos.

Os tubarões contaminados apresentaram alterações em indicadores fisiológicos importantes, como níveis de triglicerídeos, ureia e lactato. Essas mudanças são associadas a estresse metabólico e podem comprometer funções vitais.

De acordo com o estudo, substâncias estimulantes como cocaína e cafeína estão ligadas, em outros vertebrados, a desequilíbrios no metabolismo e acúmulo de lactato, o que pode afetar o funcionamento do organismo.

Os pesquisadores apontam que o crescimento urbano e o turismo são os principais responsáveis pela poluição. O aumento do volume de águas residuais e o descarte inadequado de substâncias químicas acabam levando esses compostos aos habitats costeiros.

Apesar da imagem de paraíso natural, as Bahamas já sofrem impactos crescentes da ação humana, segundo os autores.

O estudo reforça a necessidade de políticas ambientais mais rigorosas e estratégias de conservação para proteger a biodiversidade marinha, considerada essencial para a economia e a cultura local.