Santana critica descaracterização do São João e defende valorização do forró: “Nossa identidade cultural está sendo dizimada”

Cantor se apresentou na madrugada desta segunda-feira (22) no São João de Cruz das Almas e alertou para os riscos da perda das tradições juninas.

Uma das referências do forró nordestino, o cantor Santana subiu ao palco do São João de Cruz das Almas na madrugada desta segunda-feira (22), por volta das 2h, e aproveitou a passagem pela cidade para fazer uma reflexão sobre os rumos dos festejos juninos na Bahia e no Nordeste.

Em entrevista ao Blog do Valente, o artista demonstrou preocupação com a descaracterização das festas tradicionais e defendeu a preservação da identidade cultural nordestina.

“Festa junina é uma festa diferente. Ela só se tornou grande desse jeito porque é diferente, porque é nossa. É uma relíquia que nós temos, nossa identidade cultural”, afirmou.

Segundo Santana, a substituição gradual do forró tradicional por outros estilos musicais pode comprometer a essência dos festejos que tornaram o São João nordestino conhecido em todo o país.

“A partir do momento que querem transformá-la num festival, festival se encontra em qualquer esquina do Brasil. Então deixa de existir aquilo que nos diferencia”, destacou.

O cantor também fez um alerta sobre a necessidade de fortalecer e proteger a cultura regional para evitar que o Nordeste perca suas características próprias.

“O Nordeste já tem a autoestima baixa. Aí se torna uma colônia do Sudeste porque a cultura foi dizimada”, disse.

Para Santana, a preservação do forró e das tradições juninas depende de apoio contínuo de gestores públicos, artistas e da própria população.

“Precisamos de muito apoio para que essa festa não acabe. O turista vai sair da casa dele para vir aqui ver o que ele encontra na esquina da casa dele? Não vai. Então a gente precisa ser mais bairrista, porque a doença é grave”, ressaltou.

O artista concluiu afirmando que o enfraquecimento da cultura regional empobrece o Nordeste e aumenta a dependência de referências externas.

“Isso é ruim, empobrece a gente e ficamos como reféns do Sudeste, uma colônia dentro do próprio país. E para sair dessa subjugação é muito difícil”, concluiu.

A fala de Santana ocorre em meio ao debate sobre a presença crescente de artistas de outros gêneros musicais nos festejos juninos, discussão que tem mobilizado forrozeiros, produtores culturais e defensores da cultura nordestina em diversas cidades da região.