Zara paga indenização para estudante negro vítima de racismo

Fato aconteceu na loja localizada no Shopping da Bahia em dezembro do ano passado

Zara paga indenização para estudante negro vítima de racismo

A varejista de roupas Zara e o Shopping da Bahia, em Salvador, fecharam um acordo extrajudicial para o pagamento de indenização ao estudante Luiz Fernandes Júnior para que ele não leve o processo judicial injúria racial adiante.

No dia 28 de dezembro do ano passado, Fernandes Júnior registrou um boletim de ocorrência acusando a Zara e o Shopping da Bahia por injúria racial após ser acusado por um segurança do centro de compras de ter roubado uma mochila da loja. O estudante, no entanto, já tinha efetuado o pagamento do produto pelo qual estava sendo acusado de roubo.

O advogado do estudante, que é ligado ao Educafro, disse ao portal UOL que o termo de confidencialidade do acordo, celebrado no dia 7 de abril, não permite que as partes revelem o valor da indenização. No início de janeiro deste ano, foi informado que o valor pedido como indenização seria de R$ 1 milhão com o intuito de desestimular o racismo.

“A empresa não esperou o cliente entrar com uma ação judicial, tomou a iniciativa de fazer o acordo. Foi um acordo com um ônus superior à média do judiciário”, comentou o advogado. Além disso, na visão dele, essa foi a forma encontrada de assegurar que práticas racistas não sejam mais realizadas na loja. “Uma medida indenizatória onde a empresa teve a medida de procurar o consumidor ofendido e nós passamos quatro meses discutindo com os advogados da parte contrária até chegarmos a um acordo”.

Entenda o caso

Luiz Fernandes Júnior é natural de Guiné-Bissau, mora na Bahia há sete anos e é estudante de mestrado da Unilab (Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), em São Franciso do Conde.

No dia 28 de dezembro do ano passado, ele esteve em uma loja da Zara para comprar uma mochila. Após a compra no valor de R$ 329, com pressa, deixou o troco da quantia paga no caixa e foi ao banheiro. Lá, foi abordado por um segurança do Shopping da Bahia que o acusou de ter roubado a bolsa.

Após o ocorrido, o estudante foi avaliado pelo psiquiatra Lucas Mendes de Oliveira, que constatou que a vítima sofre de uma “síndrome depressiva atípica com sinais de estresse pós-traumatico”, com “sintomas de síndrome depressiva, com importante componente de desatenção, desesperança e desvalia, considerando desistir de suas atividades acadêmicas e laborais”, além de “insônia inicial grave, pensamento ruminativo com a sensação de revivência do episódio traumático, evitação de ambientes que rememorassem o evento (shopping ou lojas similares), prejuízo na memória, inapetência com perda de peso”.

Na ocasião, a Zara informou em nota que afastou uma funcionária da loja e que também apurava os detalhes do que aconteceu e que lamentava o episódio, “que não reflete os valores da companhia”. Na mesma época, o Shopping da Bahia disse que o segurança descumpriu as determinações de regulamento do shopping, ao atender o pedido da funcionária da loja. Disse ainda que não compactua com qualquer ato discriminatório, e que “incluirá as imagens deste fato nos treinamentos internos para evitar que se repitam”.

Fonte: A Tarde

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